Há algumas semanas atrás, Dilson, editor-chefe do FolhaGospel, me pediu para traduzir uma entrevista da cantora Jennifer Knaap para a revista “Cristianity Today”. A citada cantora havia acabado de revelar publicamente que era lésbica e que mantinha um relacionamento homossexual por quase oito anos. A revelação chocou o meio evangélico americano e causou bastante burburinho até mesmo na imprensa secular.

Prometi a Dilson fazer a tradução, mas no corre-corre das ultimas semanas, tive que viajar e cumprir outros compromissos e acabei ficando em falta com ele, inclusive, nem mesmo enviando minha coluna semana passada. Por isso, resolvi “matar dois coelhos com uma paulada só” e dedicar a coluna dessa semana para comentar alguns trechos da entrevista de Jennifer Knaap. E espero que, assim, o Dilson me perdoe pela ausência.

Jennifer Knaap não é assim tão conhecida no Brasil, mas aqui nos EUA ela tem um nome bastante respeitado. Desde seu primeiro disco em 2001, ela já ganhou 4 Dove Awards, foi indicada ao Grammy e vendeu mais de um milhão de cópias. Em 2003, no auge do sucesso, ela surpreendeu a todos e decidiu interromper sua carreira por tempo indeterminado, alegando cansaço. Voltou em 2009, e resolveu se aventurar no mercado secular, abandonando o público evangélico.

Muitos diziam que a sua decisão de parar por sete anos, foi por conta de seus conflitos pessoais pelo fato de ser gay, ao que ela respondeu que na época esse não foi o fator decisivo. A cantora, aliás, não pareceu nem um pouco conflituada, mas bastante definida sobre sua sexualidade. Quando perguntada sobre se havia enfrentado questionamentos enquanto se apresentava como cantora evangélica, ela afirmou que o único era sobre como a Igreja iria aceitá-la depois que revelasse suas preferências. E disse estar vivendo o momento mais feliz de sua vida. Durante o hiato de sete anos, Jennifer viajou pelo mundo com sua “companheira” e passou um bom tempo na Austrália.

Quando perguntada se ela julgava o homossexualismo incompatível com a palavra de Deus, ela deixou a entender que muitas passagens são mal interpretadas e que os mais radicais se apegam a alguns textos sobre homossexualismo, e fazem vista grossa pra outras proibições que também constam na Bíblia, como comer frutos do mar, por exemplo. Disse ainda que muitas denominações já estão admitindo homossexuais e que não vê nenhum problema nisso.

A cantora que mora atualmente em Nashville, não está frequentando nenhuma Igreja. Ela ainda se considera Cristã.

Achei a entrevista de modo geral bastante intrigante; Jennifer como disse antes, me pareceu bastante convicta de sua decisão de “sair do armário”. Revi também uma entrevista dela ao apresentador da CNN Larry King, e novamente ela se mostrou desenvolta e sem um pingo de dúvida. Novamente citou as passagens bíblicas que considera mal interpretadas par tentar justificar o homossexualismo, que é também a mesma estratégia usada pela mídia secular e pelos ativistas gays americanos. Uma bobagem que nem merece comentário. Texto sem contexto é pretexto, como dizia minha mãe.

Uma de suas frases em particular, me chamou bastante a atenção e por isso vou traduzir na integra: “se Deus espera que, sendo cristã, eu tenha que justificar teologicamente tudo o que faço, então me desculpe, mas eu então vou ser um grande fracasso”. É Jennifer, nisso até que você tem razão…

Um abraço,

Leon Neto