Quatro de julho aqui nos Estados Unidos, é sinônimo de piquenique, churrasco (bem, no caso deles com hambúrguer e cachorro-quente…), reunião familiar, shows e queima de fogos de artifício. O dia da independência é dos feriados mais celebrados pelas famílias norte-americanas.

E de fato é bastante tocante ver como pessoas de todas as idades se envolvem na temática da data e se vestem com as cores da bandeira, promovem eventos e participam com entusiasmo das festividades. E notório como todos por aqui tem orgulho de sua terra e respeito pelas datas e instituições nacionais.

Até aí tudo bem, mas algo que nem todos sabem é que as igrejas evangélicas também se envolvem diretamente nas comemorações do dia da independência. Muitas promovem churrascos e celebrações ao ar livre, mas outras chegam mesmo ao ponto de dedicar domingos inteiros para a comemoração da data.

E muito comum o que se chama por aqui de “patriotic musical”, ou “musical patriótico”, que mistura hinos religiosos e patrióticos e é apresentado no mesmo formato de uma cantata ou musical gospel.

A primeira vez que assisti a um desses musicais confesso que fiquei meio sem entender a lógica de incluir uma programação dessas em um culto dominical. Para nós brasileiros isso soa um tanto surreal, não e? Já imaginaram uma cantata cristã usando “já podeis da pátria filhos”, e “sou feliz com Jesus” no mesmo arranjo? Ou alternar o hino da bandeira (muito bonito por sinal), com “Castelo Forte”?

E mais que isso o que se exalta bastante nesses musicais é a participação dos militares nas diversas campanhas em que o exercito americano se fez presente. Lembro-me de um musical que assiti em que veteranos da segunda guerra mundial e do Vietnã davam seus testemunhos e contavam detalhes das batalhas em que se envolveram. Certamente algo difícil de entender para quem não esta inserido aqui nesse contexto.

O povo americano se enxerga como guardião da liberdade e vê seu exercito como instrumento Divino para preservação da livre propagação do evangelho pelo mundo. Sei que muitos irão torcer o nariz para isso, mas é dessa forma que eles se vêem aqui. Diferentemente do Brasil, para onde foram mandados somente aventureiros e criminosos, os Estados Unidos foram colonizados por famílias de comunidades evangélicas em busca de liberdade religiosa. Os “patriarcas” são sempre relembrados como fundadores de uma nação temente a Deus e que elaboraram uma constituição baseada em princípios cristãos. Isso faz com que a associação igreja-estado seja bem próxima e mesmo defendida pelos mais fundamentalistas.

Os cristãos norte-americanos também se acham responsáveis pelos rumos da política interna e muitos se envolvem ativamente no processo eleitoral, sem nenhum tipo de conflito ou questionamento. O povo evangélico, aqui maioria, quase sempre é determinante no resultados das eleições e obrigatoriamente alvo de campanha de todos os candidatos a cargos públicos.

Mas acima de tudo, as igrejas norte-americanas assumem a responsabilidade de interceder pelos seus governantes e pelo seu país e lutam bravamente contra o secularismo crescente que ameaça todos os valores nos quais esse pais foi fundamentado. Ė muito comum vermos orações pelos governantes nos cultos e reuniões de oração, e mobilizações de intercessão e ação pelos mais variados assuntos ligados à sociedade local. Como eu gostaria de ver algo assim acontecendo no Brasil…

Exageros a parte, muita coisa boa pode ser aproveitada dessa peculiaridade da cultura evangélica dos estados unidos. Ainda mais em um país como o nosso repleto de desigualdade e injustiças sociais, a atuação das igrejas evangélicas poderia ser bem mais efetiva, e poderíamos ter muito mais consciência sobre nossa responsabilidade em interceder pelos governantes e fazer diferença no nosso meio. E quem sabe um dia ter o mesmo orgulho de dizer que vivemos em um país temente a Deus.

Um abraço,

Leon Neto