Recebi tantos e-mails sobre a coluna passada que resolvi abordar o assunto mais uma vez. Em primeiro lugar porque acho que fui mal interpretado. Em segundo lugar, porque acho que deixei de mencionar alguns aspectos importantes.

Preciso deixar bem claro aqui, que jamais, em momento algum subestimei a nocividade do carnaval. O carnaval é uma festa pagã que privilegia a promiscuidade e o consumo de drogas e álcool e poucas coisas neste mundo são mais contraditórias à nossa fé do que a citada festa. Não era isso que estava em discussão.

Eu tampouco defendi a tese de que todos nós devemos tolerar os músicos cristãos que decidem tocar no carnaval, São João ou qualquer outro evento desse tipo. Apenas tentei apresentar o “outro lado da moeda” e fomentar discussões sobre o tema.

Talvez ainda haja muita coisa para ser discutida sobre o assunto. Hoje mesmo, quando abri a internet, vi uma matéria sobre Carla Perez, que se afirma evangélica, liderando um bloco infantil em Salvador. Também me lembrei de outras profissões que tem que estar na ativa durante o carnaval: tenho um amigo que é jornalista e que já teve que cobrir vários bailes de carnaval, pensei também nos sonoplastas, motoristas, donos de lanchonete, etc… Claro que concordo que a música tem alguns componentes que outras profissões não tem, dentro do contexto bíblico; mas acho que os conflitos de outras profissões continuam sendo cabíveis e nossa tolerância com essas e com os músicos eruditos são no mínimo questionáveis.

Há também um outro tipo de cristão que se envolve no carnaval, mas com propósitos evangelísticos, como meu amigo Atilano Muradas, por exemplo, que por vários anos capitaneou uma escola de samba evangélica em Curitiba, que usava sambas-enredo com temática bíblica, e que inclusive ganhou o carnaval daquela cidade em um dos desfiles! Lembro-me também de blocos evangélicos em Recife e Olinda, e também de trios-elétricos evangélicos em micaretas e bailes carnavalescos. Enfim, há os que pensam que nós devemos estar presentes no carnaval, pregando o evangelho de todas as formas possíveis ao invés de nos isolarmos em acampamentos, como a maioria das igrejas faz todo ano. Gostaria muito de saber a opinião de vocês sobre esses aspectos também.

Agradeço mais uma vez às mensagens e e-mails, todas de muito bom nível e espero que as igrejas que se defrontam com situações parecidas possam fazer o mesmo e refletir bem antes de sair por aí tomando decisões apressadas, seja para um lado ou para o outro.

Um abraço,

Leon Neto