Vindo uma mulher samaritana tirar água, Jesus lhe disse: Dá-me de beber. (7)
Disse-lhe a mulher samaritana: Como, sendo tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana? (Pois os judeus não se dão com os samaritanos.) (9)
Disse-lhe a mulher: Senhor, dá-me dessa água para que eu não mais tenha sede, nem precise vir aqui tirá-la. (15)
Disse-lhe Jesus: Vai, chama o teu marido, e vem cá. (16)
Respondeu ela: Não tenho marido. Disse-lhe Jesus: Tens razão em dizer que não tens marido, pois já tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu marido. Isto disseste com verdade. (17, 18)
Disse-lhe a mulher: Senhor, vejo que és profeta. (19)
Disse-lhe a mulher: Eu sei que o Messias (chamado Cristo) vem. Quando ele vier, nos explicará tudo. (25)
Disse-lhe Jesus: Eu o sou, eu que falo contigo. (26)
(Evangelho de João 4)

Neste texto Jesus fala com a mulher samaritana (inimiga dos judeus e marginalizada pelos mesmos). Mas não é isto o que desejo abordar, mas a alma desta mulher, que reflete uma anomalia em seu caráter e personalidade. Uma instabilidade emocional que resultou em uma vida de aventuras vazias, muitas decepções e mentiras repetidas.

Poderíamos dizer que ela sofria de uma espécie de psicopatia, pois não vivia na verdade, visto que não teve nenhum vínculo concreto com seus amantes anteriores, que pudesse transformá-los em seu marido.

Mas isto não é o final. Há sempre uma luz no fim do túnel, mesmo que a Psicologia diga que para tal problema não há cura.

A Psicologia conceitua este “transtorno” como caracterizado por atos anti-sociais contínuos e principalmente por uma dificuldade de seguir normas sociais durante a adolescência e a vida adulta. Pode ser reconhecido pelas as seguintes atitudes:

1) falhas em adaptar-se às normas sociais que regem os comportamentos legais, indicadas pela repetição de seus atos que serão penalizados na coletividade em que faz parte.

2) propensão para enganar, indicada por mentiras repetitivas, uso de codinomes e manipulação dos outros para benefício ou prazer pessoal.

3) impulsividade ou falha em planejar o futuro.

4) irritabilidade e agressividade, indicado por brigas e agressões repetitivas.

5) desrespeito negligente pela própria segurança ou dos outros.

6) irresponsabilidade, indicada por falhas repetitivas em sustentar um trabalho consistente ou honrar obrigações (financeiras ou morais).

7) falta de remorso, indicado pela indiferença ou racionalização ao ter cometido um erro.

Os que chegam a certo sucesso profissional passam por demissões, problemas com superiores, problemas com condutas ilegais e de convivência com colegas. Já os que possuem maior inteligência chegam a ter um certo sucesso momentâneo em profissões liberais, mas tudo é só uma questão de tempo para a queda. Não é possível enganar a todos o tempo todo.

Costumam muito fazer referência à ingenuidade de suas vítimas, não estabelecendo vínculos firmes e duradouros, não aprendendo com suas experiências, mesmo quando punidos e voltam a cometer os erros do passado e violar os direitos dos outros.

Não sentem culpa com seus atos anti-sociais que cometem e sempre têm explicações e racionalizações. São pessoas extremamente frios e calculistas. Colocam nos outros (projetam) aspectos detestáveis da sua mente e sentem uma espécie de triunfo e grandiosidade quando enganam ou agridem alguém.

Tal como ocorreu com Paulo e Pedro, ela precisava ser confrontada pelo Senhor Jesus na sua maneira de generalizar a todos (quando achou que o Senhor Jesus a trataria da mesma maneira que os outros), na maneira de pensar e agir com sua vida e com a das pessoas ao seu redor.

O que a ciência não pode fazer, o Espírito Santo pode fazê-lo, transformando um caráter. Só o poder de Deus pode transformar vidas Mas para isto é preciso se render à ação transformadora de Deus, renunciando aos doces pecados que alimentam a desgraçada vida e querer ser liberto.

Tem que sentir sede e ir ao poço buscar água. Quem beber da “água da vida” jamais sentirá sede. Jamais!

É necessário ter um encontro pessoal com a pessoa bendita do Senhor Jesus, se render aos seus pés, desejar ser liberto, renunciar às práticas erradas e viver cada dia confiando em Deus, ouvindo sua voz pela Palavra e colocando-a em prática.

Onde abundou o pecado, agora superabunda a Graça do Senhor Jesus.

“Aquele que odeia dissimula com os lábios, mas no íntimo abriga o engano. Quando te suplicar com a voz suave, não te fies nele, pois sete abominações há no seu coração. Ainda que o seu ódio se encobre com engano, a sua malícia será revelada na congregação”.( Pv 26: 24, 25 e 26).

DEUS NOS PROSPERE EM TUDO

Manoel Valentim