Ninguém fala outra coisa. Os sites de mídia social estão repletos de fotos, posts e comentários. Uns amando, outros odiando. Uns empolgados outros completamente chocados. É o beijo da discórdia.

A Rede Globo já vinha ensaiando algo assim há um bom tempo; em várias novelas e minisséries casais do mesmo sexo já tinham aparecido com certa frequência. Faltava só o beijo mesmo.

É impressionante como ainda tem gente que leva Globo tão a serio; é o tipo de gente que só acredita quando a noticia sai no Jornal Nacional, que diz pateticamente: “agora é oficial”. Precisamos parar de encher a bola da rede Globo e de dar tanta importância assim ao que acontece nas novelas.

Fiz as contas e cheguei à seguinte conclusão: quem assiste a todos os capítulos de apenas uma novela por digamos, 5 ou 6 meses, gasta quase que o dobro da carga horária de uma matéria de um curso de pós-graduação aqui nos EUA. E isso só UMA novela. Imagine quantos doutores, engenheiros, professores, biólogos o Brasil esta perdendo. Imagine se houvesse o mesmo empenho na busca por uma carreira profissional e nos estudos… sei que todos tem o direito de relaxar quando chegam do trabalho e cada um pode escolher o lazer que bem entender. Mas, ficar grudado na telinha por tanto tempo me parece um exagero. Arrume diversões alternativas, leia um livro, vá para academia, vá andar na praia ou simplesmente passar mais tempo com a família. Se fosse um capitulo por semana eu nem diria nada, mas sete vezes por semana é dose para elefante.

Eu tenho plena convicção de que somente quando a TV por assinatura ficar mais acessível para a população, o domínio das telenovelas vai bambear um pouco. Não tenho dados estatísticos, mas tenho grade desconfiança de que quem tem acesso às opções que os canais por assinatura oferecem vê muito menos novela. Talvez fosse uma boa sugestão para o nosso governo atual que adora criar projetos de “inclusão social” (leia-se esmolas), inventar algo como o “bolsa-sky” para que populações carentes tivessem acesso ao Discovery Channel, National Geographic e etc.

Lembro que dia desses o engraçadinho metido à reporter Thiago Leifert disse que o Brasil não é o pais do futebol;é o pais da novela. E ele está certo. O último capítulo de “Amor à Vida” teve 44 pontos de audiência e pico de 48, o que significa muita, muita gente. E muitos vibraram quando o beijo gay finalmente aconteceu, como se o fato fizesse alguma diferença para a situação confusa que o país vive nesse aspecto. A questão do homossexualismo sempre será irreconciliável por um aspecto fundamental: existem conceitos dispares sobre o que é homossexualismo. Enquanto o meio secular vê o homossexualismo como característica inata, nós Cristãos de acordo com a Bíblia, o vemos como sendo um comportamento. Assim, não há conciliação possível. Há que se ter respeito pelas diferenças e pelo direito do próximo, combater a violência em todas a suas formas e discutir as leis, mas acho improvável que cheguemos a um consenso. Para nós é uma questão primordialmente de fé, assim como é em relação ao adultério e à poligamia.

É inocente quem acha que a inclusão da cena do beijo gay não teve endereço específico. Claro que almejou atingir o público evangélico, algo que até mesmo o autor da novela, homossexual assumido, admitiu. Mas, não deveríamos estar dando tanta atenção assim. Existem outras questões bem mais importantes. Sinceramente gostaria de ver mais Cristãos indignados com a miséria, a corrupção e a injustiça, ou a falta de justiça. Gostaria que os que se revoltaram tanto com o beijo da novela, agissem de forma mais direta contra a prostituição infantil, o desperdício de dinheiro público e a situação lastimável de nossas escolas e hospitais públicos.

E não deixa de ser irônico ver que alguns dos que detrataram impiedosamente e rede Globo por conta do beijo gay na novela, são os mesmos que ficaram entusiasmados com o Festival Promessas, exibido não faz muito tempo pela mesma emissora…

Um abraço,

Leon Neto