Na maioria das vezes o Discípulo Psíquico é religioso, pois a alma pede ritos; assim como o corpo pede água e pão, ela come símbolos.

Já o Discípulo Pneumático não é assim. Ele pode até já ter sido um Discípulo Psíquico que discerniu e fez a virada; entretanto, a maioria dos que se tornam Discípulos Pneumáticos já são assim em razão da qualidade essencial da experiência de Deus que tiveram pela fé desde o inicio.

Paulo, por exemplo, fez uma viagem diferente da de Pedro, que foi de homem natural a homem espiritual. Paulo, entretanto, já nasceu para além do homem natural, como tenho visto acontecer com muitos e muitos.

Paulo simplifica a descrição de tal ser apenas dizendo que ele vive pela fé no Filho de Deus que o amou e a Si mesmo se entregou por ele, e mais: que tal revelação sempre se faz acompanhar do fruto do amor, e o amor é espiritual, pois Deus é amor. Por isso o Discípulo Pneumático é filho exclusivamente do dogma do amor. E para ele, qualquer outra via é inviável.

Ora, o Discípulo Pneumático é um ser Psíquico também. Portanto, se emociona, chora, ri, gargalha, experimenta solidão, sente necessidade de amigos, deseja e quer ser desejado em amor, tem sonhos, gosta do que gosta e prefere o que prefere; e tudo o mais que é como a alma gosta. Todavia, conforme se vê na existência de Paulo, tão evidentes em suas cartas, tais coisas da alma podem e devem ser conduzidas pelo espírito. Em tal caso, não são elas que determinam o andar e o agir (reagir) da pessoa, mas sim a sua consciência, sempre dando preferência à sabedoria em vez do mero impulso ou desejo, e, desse modo, tendo sempre a chance de não se condenar naquilo que aprova, pois no amor não há a vontade de chocar ou de ferir ninguém. E ao mesmo tempo, como o amor é o condutor da verdade de Deus, a pessoa também não deixa de buscar crescer serena e sensatamente naquilo que aprova, conferindo sempre coisas espirituais com coisas espirituais, de modo que ela não se sente mais julgada por ninguém, posto que ela mesma julga em si todas as coisas.

Assim é o caminho do Discípulo Pneumático. Nesse ponto a pessoa goza sem machucar; alegra-se sem ofender; chora sem se lamuriar; enfrenta sem se fazer inimigo; e aprecia tudo o que faz bem, e não apenas o que é sensorialmente gostoso.

Ora, pelo que está acima, por coisas outras ditas anteriormente e por milhares de outras razões ainda a serem declaradas é que estou dizendo tudo o que nos últimos dias tem sido a minha ênfase acerca da alma e do espírito. E tudo isso não com a intenção de desintegrá-los; ao contrário, na intenção de integrá-los, pois a vida abundante vem da integração de todas as dimensões no Espírito Santo — e isso inclui nosso corpo-ser: lugar síntese da integração visível de nosso ser total.

Pense nisso!

Caio