Quando J.K. Rowling no início dos anos 90 começou a formular em sua cabeça as primeiras ideias sobre um pré-adolescente frequentando uma escola para magos e bruxas, certamente ela não imaginou quão longe essa idéia iria levá-la. Tampouco imaginou a quantidade de dinheiro que a tal idéia iria lhe proporcionar.

Hoje, pouco mais de quinze anos depois, J K. Rowling é uma das vinte pessoas mais ricas da Grã-Bretanha com uma fortuna estimada em mais de um bilhão de dólares. Pouca gente sabe, mas a autora da série de livros sobre Harry Potter morou na cidade do Porto, em Portugal por uns dois ou três anos onde ensinou inglês e foi casada com um jornalista português, pai de sua primeira filha. Pouco depois da separação em meados dos anos 90, Rowling achava que sua vida era um fracasso e que nada havia dado certo, quando resolveu tentar publicar aquela estorinha infanto-juvenil que havia alinhavado alguns anos antes. O resto é historia…

Depois que os livros viraram uma das mais lucrativas séries cinematográficas da história, existem poucos adolescentes no planeta que não tenha ouvido falar no bruxinho Harry Potter; e milhões e milhões deles, junto com mais alguns milhões e milhões de adultos intrometidos, se tornaram fãs inveterados da série, gerando uma fortuna inacreditável para seus criadores e produtores.

Esse final de semana aconteceu o lançamento do que está sendo anunciado como o último filme da série: “Harry Potter e as Relíquias da Morte – parte 2”, em poucos dias o citado filme já bateu todos os recordes de arrecadação nos Estados Unidos e já é o lançamento mais bem sucedido da história, acumulando mais de 400 milhões de dólares até o momento.

Devo confessar que não sou um dos milhões e milhões de admiradores da série Harry Potter. Eu até tentei assistir a um dos filmes, mas realmente não consegui passar dos dez minutos. Achei tudo muito bobo e infantil o que alias me parece ser a razão de tanto sucesso. Mas isso nem vem ao caso. O que eu fiquei pensando é o que vai ficar para a posteridade dessa empreitada toda?

Sinceramente, acho que não vai ficar muita coisa, não. Harry Potter é apenas mais uma produção caça-níqueis travestida de super-produção. Garanto que pouca gente vai estar lembrando dela daqui a uns dez anos. A geração mais nova, inclusive, nem é mais assim tão ligada no bruxinho (que parece virou um bruxo adulto); os pré-adolescentes atuais estão mais ligados na serie “Crepúsculo” e não vão sentir saudades nenhuma de Harry Potter, e assim caminha a humanidade.

Além disso, não há muito o que esperar em termos de conteúdo de uma obra feita com o objetivo apenas de entreter o público infanto-juvenil. Esse acho que foi o grande erro de parte da comunidade evangélica na época da grande febre Harry Potter, que ficou procurando cabelo em ovo alegando que os livros e filmes tinham conteúdo diabólico e coisa e tal. Nesses anos todos eu não soube de nenhuma pessoa que tenha se afastado do evangelho por causa de Harry Potter, ou de qualquer crime cometido inspirado na trama das estorinhas. Tudo não passou de uma grande bobagem, como todos nós podemos ver agora.

Certamente que nós Cristãos devemos estar atentos para as estratégias do inimigo que está sempre ativo em busca de nos desviar dos caminhos de Deus. Mas, precisamos buscar mais e mais discernimento, para não ficar desviando nossa visão dos verdadeiros perigos. Nesses anos todos de reinado da série Harry Potter, os absurdos de sempre continuaram acontecendo, como a manipulação da fé alheia, teologia da prosperidade, crimes, corrupção e injustiça social, enquanto muitos de nós fizeram vista grossa para essas coisas e se concentraram em atacar um bruxinho inofensivo e sem poder algum. Bem, poder apenas de gerar dinheiro, muito dinheiro.

Um abraço,

Leon Neto