Já faz um certo tempo que a musica popular brasileira não tem revelado novos grandes nomes ou canções de qualidade. Nem mesmo nas ultimas tentativas de reedição dos grandes festivais têm-se conseguido granjear novas composições que entrem para a historia, assim como fizeram as saudosas “Travessia”, “O Amor é o meu País”, ou “Sabiá”.

Muito pelo contrário, o que temos visto surgir no cenário atual são canções pouco memoráveis, e sem profundidade nenhuma. Cada vez que vou ao Brasil, infelizmente tenho encontrado o quadro indo de mal a pior. Depois de ter testemunhado as lamentáveis fases dos sertanejos, pagodeiros e funkeiros, achei que tínhamos atingido o fundo do poço em termos de mal gosto e baixa qualidade. Ingenuamente achei que após a “Eguinha pocotó” e o “Bonde do Tigrão”, não pudesse surgir nada pior.

Mas, como o povo brasileiro não para de se superar em termos de ruindade, vi surgir recentemente uma canção, de título impronunciável em uma coluna de um site evangélico, e que consta apenas de uma expressão de baixíssimo calão repetida incansavelmente, como se fosse um mantra.

A tal canção , (se você tiver a bondade de chamá-la de “canção”), tem batido recordes de acesso na internet e virou mania entre os adolescentes. Começa com uma introdução até que agradável e suave, e utiliza uma melodia meio “bregosa”, mas tolerável em ritmo de balada. Então, logo na primeira linha uma voz feminina começa a sussurrar uma expressão que se usa em penitenciarias e jogos de futebol de campos de várzea, cujo significado me recuso a comentar.

Se eu falasse algo parecido perto de meus pais, quando era criança ou adolescente, levaria uma surra e ficaria de castigo por uma semana, certamente. Mas, parece que todos, por conta da tal canção, estão adorando repetir a expressão chula e de péssimo gosto. Até mesmo a apresentadora Eliana, outrora conhecida por suas canções e programas infantis, aderiu a moda e em determinado programa, surpreendeu a todos entoando a aquela cançãozinha imbecil.

Claro que eu sei que tudo não passa de uma brincadeira e que a intenção dos produtores era, além da auto-promoção, apenas fazer rir. Mas, acho que brincadeira tem limite. Vi uma entrevista da cantora, que na verdade é uma atriz decadente, no programa do Jô e fiquei ainda mais chocado com a “cara-de-pau” dela tentando justificar a “obra”, com o perdão da má palavra.

Me considero uma pessoa com senso de humor, mas confesso que quando vejo apelações desse tipo fazendo sucesso no Brasil, fico com a impressão de que nossa sociedade realmente precisa rever seus valores e mudar seus princípios. Me lembro como, vinte anos atrás, certos palavrões não seriam jamais pronunciados na teve aberta e que agora são proferidos sem a menor cerimônia até mesmo na novela das seis! Não me vem outra palavra a mente senão: DECADÊNCIA.

Mesma palavra por sinal, que tenho que usar toda a vez que me refiro a musica popular brasileira atual. Não sei se com a canção-palavrão chegamos ao fundo do poço, mas fico achando difícil fazerem algo pior do que isso; talvez só se inventarem alguma outra canção xingando a mãe de todo mundo. E se o fizerem, tenho certeza que no dia seguinte, a garotada toda, que se julga esperta, vai estar cantando e comprando discos, sem perceber que na verdade estarão, mais uma vez cuspindo na cara da sua própria cultura.

Um abraço,

Leon Neto