Em um evento que durou quase cinco horas, a badalada serie americana “Lost” finalmente chegou ao fim. As primeiras duas horas foram meio que uma recapitulação de toda a trajetória da serie, contando com entrevistas dos atores principais e dos criadores do projeto, e depois veio o episódio final com duas horas e meia de duração.

Sem dúvida foi uma overdose de “Lost”, mas para quem acompanhou a serie nos últimos seis anos, as horas passaram voando. Na verdade, eu não segui a serie desde o começo; cheguei nos Estados Unidos pouco antes da primeira temporada e não dei muita bola aos primeiros episódios. Mas, depois , não sei porque resolvi dar uma olhada e acabei fisgado. Aluguei os DVD’s da primeira e segunda temporadas e desde então assisti à serie até o seu final grandioso, na noite de ontem.

A série não foi das mais fáceis de se entender, e talvez por isso mesmo conquistou defensores e detratores na mesma proporção. Ainda mais aqui nos Estados Unidos, onde o público em geral gosta mesmo é de programas formuláicos e previsíveis. Mas, independente de se gostar ou não, há que se reconhecer que “Lost” foi um dos fenômenos televisivos mais relevantes dos últimos anos. Não só pela audiência que gerou, mas por ter arrebanhado uma geração de fãs, como há muito tempo não se via na TV americana e mundial. Algo assim, só me lembro de ter acontecido com “Jornada nas Estrelas” nos anos 60. “Lost” certamente já entrou na galeria dos clássicos da TV de todos os tempos.

Mas, o que será que gerou um sucesso tão grande assim? Se você não acompanhou a série, fica difícil mesmo de entender; afinal, a premissa não é nada demais: após um acidente de avião, um grupo de estranhos se vê aprisionado em uma ilha distante e deserta, onde fenômenos estranhos e inexplicáveis começam a acontecer. Algo não muito original e que já se viu aos montes em filmes e minisséries.

A qualidade dos atores em geral, foi acima da media, em especial o excelente Michael Emerson (Benjamin Linus), que em alguns momentos chegou a lembrar Kevin Spacey em seus bons tempos, e o intrigante Terry O’Connel (John Locke). Talvez o elenco internacional, tenha sido um atrativo à mais, já que durante os seis anos de exibição, desfilaram pelos sets de “Lost” atores australianos, japoneses, coreanos, ingleses, e até mesmo um brasileiro, o nosso Rodrigo Santoro.

Mas o grande diferencial da série, na minha opinião, foi justamente o roteiro cheio de mitologia e eventos surreais, dando margem a interpretações das mais variadas. Misturando um pouco de todas as filosofias existentes, os roteiristas, J. J. Abraham e Damon Lindelof conseguiram gerar muitas especulações e interpretações em seu público, e como se tratava de uma obra aberta, foram alimentando o apetite dos fãs com mais e mais mistérios ao longo dos anos. Muito mais marketing do que arte.

Se formos analisar com cuidado, vamos perceber não há grandes profundidades na trama de “Lost”, que não passa de um entretenimento bem feito. Os que ficavam elaborando teorias bombásticas sobre a série, estavam procurando cabelo em ovo, e alimentando a própria imaginação, já que nem os próprios autores pareciam saber para onde a trama estava indo. Vi até quem achasse que havia algo de cristão na mensagem da série, como a luta entre o bem e o mal, o peso das escolhas que fazemos na vida e etc. Ora, é mais ou menos como ficar olhando para as nuvens; cada um vê o que quer. Eu, para ser franco vi mesmo um tremendo samba-do-crioulo-doido misturado com sabe-se-lá-o-que.

O grande final se não foi revelador ou sensacional como se esperava, pelo menos tratou os fãs com certo respeito, e não saiu da linha em que andou por seis anos à fio. Deixou no ar várias perguntas, e para os que achavam que havia um quê de cristianismo, terminou muito mais espírita do qualquer outra coisa.

Um abraço,

Leon Neto