Assistindo a “O Vigarista do Ano” (“The Hoax”), filme lançado esse ano e que pode dar a Richard Gere uma indicação ao Oscar, comecei a refletir um pouco sobre nossa sociedade.

O filme conta a historia verídica de um tremendo trapaceiro que forjou documentos para convencer uma grande editora dos anos 70, que ele tinha um acordo de exclusividade para escrever a biografia do excêntrico bilionário americano Howard Hughes.

Como Hughes vivia recluso e longe da mídia por mais de 15 anos, o tal vigarista achou que poderia levar a estória á diante sem ser descoberto. Para que o cambalacho desse certo, o personagem do filme se enveredou tão profundamente no submundo da mentira, que chegou mesmo a não saber mais o que era verdade e o que não era. Passou a crer nas próprias mentiras que inventou.

O filme é bem interessante, embora um pouco longo demais. Os atores Richard Gere e Alfred Molina estão primorosos e são possíveis apostas para as indicações da academia, a serem divulgadas em janeiro. Mas, o que me chamou atenção, foi como a mentira faz parte tão integrante de nosso meio. Parece que as pessoas perderam o pudor e o senso de moral em relação a ela.

Quando se fala na tal palavra a primeira coisa que me vem a mente são os políticos brasileiros, que com a mentira convivem e coabitam promiscuamente. Basta lembrar das promessas de campanha não cumpridas, virações de casaca, e daqueles que juraram de pé junto sua inocência, para depois renunciarem ao mandato covardemente só para escapar de um julgamento.

Mas, não é só na classe política que a mentira se faz presente; pense no seu dia-dia e nas desculpas esfarrapadas para a namorada, elogios falsos, pedidos de dispensa, naquela infalível e sempre à mão “dor de cabeça”; pense na sua ultima declaração do imposto de renda e se incluiu tudo o que deveria, na pelada do fim-de-semana e naquele pênalti que você sabe que não foi mão, mas não disse nada. Em todos os segmentos da sociedade e em todos os momentos do nosso cotidiano estamos expostos à mentira e dela fazemos uso deliberado muitas e muitas vezes.

O pior de tudo é que como o personagem do filme, às vezes acabamos sem saber fazer a diferença de uma coisa da outra; acaba-se acreditando na própria mentira , convencendo-se a si mesmo e entrando na barca furada da enganação. Muitos relacionamentos são baseados na mentira, carreiras e até mesmo ministérios. Fica difícil saber em quem acreditar, quem está sendo verdadeiro e vivendo aquilo que prega.

A Bíblia não só condena a mentira de forma efetiva, mas também nos alerta para “sepulcros caiados” e “falsos profetas”; nos conclama a estarmos atentos e a vigiar e orar, para não sermos enganados e manipulados por essa gente.

Por isso às vezes não entendo por que tantas pessoas preferem “tapar o sol com a peneira” e continuar à mercê de líderes que manipulam a palavra de Deus para proveito próprio e a distorcem para acomodar suas doutrinas pessoais. Pessoas que se revoltam quando a verdade é exposta, e fechando os olhos aos fatos, preferem continuar compactuando com a mentira, sob o argumento de “perseguição religiosa”.

A Bíblia tem tolerância zero com a mentira e com quem com ela toma parte. Políticos, pastores, empresários, professores, gente comum como eu e você, todos somos desafiados a rejeitar a mentira em todas as suas formas, a todo o momento, ainda que isso nos leve a ir pelo caminho mais longo, pagar um imposto mais alto ou admitir um erro.

Quando mentimos, fazemos a alegria do pai da mentira, que também é o príncipe desse mundo, onde reina a mentira.

Um abraco,

Leon Neto