Dando prosseguimento à minha promessa de assistir e comentar todos os indicados ao Oscar de melhor filme, antes da cerimônia de premiação, passo então a, como se diz em Pernambuco, “dar os meus pitacos” sobre o filme “Os Infiltrados”.

Quando li a resenha sobre esse filme jà fui logo pensando que não iria gostar muito; afinal de contas, quem aguenta mais filme de gangster e ainda mais dirigido por Martin Scorcese? O que mais pode ser acrescentado ao gênero depois de obras primas como “ Anjos de Cara suja”, “Os Bons Companheiros”, “Os Intocàveis” e a trilogia do “Poderoso Chefão” ? qualquer um que se aventure em mais uma empreitada dentro desse tema, vai ter que “rebolar” pra conseguir ser original e eficaz. Mas, mesmo contra as minhas expectativas iniciais, parece que o tal do Martin Scorcese conseguiu, mais uma vez acertar em cheio o alvo.

De fato, “Os Infiltrados” não traz nada de novo e chega mesmo a ser bastante previsível, mas diante de um filme tão bem realizado, originalidade acaba não sendo assim tão importante. Realmente dà gosto ver Scorcese na sua melhor forma novamente, e com fôlego de adolescente, construindo uma obra coesa e bem articulada. A edição final ficou até mesmo com cara de “anos 70”, com cortes rápidos e enquadramentos alternativos. A fotografia priorizando tons neutros tambem contribui para a sensação de se estar assitindo um filme “B” da cultura “underground”, o que não deixa de ser um elogio para uma produção hollywoodiana de primeira linha.

O elenco está tão bem e á vontade, que tem-se a impressão de que o diretor não fêz muita coisa e que o mérito da atuação é mesmo todo dos atores. Na minha opinião, o destaque fica, pra variar, para Jack Nicholson, que encarna um mafioso com diabolica perfeicao. Alternando sutileza e histrionismo, o velho Jack rouba todas as cenas em que se faz presente, particularmente em uma delas onde seu personagem dialoga com o de Matt Damon sobre as motivações do mafioso para continuar sua rotina de crimes; de arrepiar! Falando em Matt Damon, eu até que o acho um ator interessante e que passa credibilidade aos personagens que interpreta, o que nao deixa de acontecer em “Os Infiltrados”; mas o problema é que ele é daqueles atores que sempre se tem a impressão de estar interpretando o mesmo personagem. Mesmo assim, não chega a comprometer o filme. Leonardo di Caprio mais uma vez prova que é bom ator, e que comeca a se livrar do estigma do insuportável “Titanic”.

Outro destaque em relação ao elenco, é a atuacao de Alec Baldwin como o chefe de policia menos astuto da historia do cinema. Parece que Baldwin depois que desistiu de ser galã, passou a escolher melhor seus filmes a a atuar de forma mais relaxada e divertida.

De negativo mesmo, talvez a violência excessiva (mas, como fazer um filme de gângster sem violência?) e o final, que quase vira comedia pastelão, com todo mundo matando todo mundo. Mas, de resto, sem dúvida “Os Infiltrados” traz uma aura de frescor a um gênero batido e coloca mais uma joia na coroa de um brilhante diretor de cinema, chamado Martin Scorcese. E quem sabe uma joia em forma de estatueta dourada…

Um Abraço,

Leon Neto