Em primeiro lugar, gostaria de me desculpar pelo atraso da coluna dessa semana; a culpa foi toda minha e não da administração do site. Contudo foi por uma causa justa, já que a cerimônia de premiação do Oscar só terminou de madrugada, e eu gostaria de postar meus comentarios em primeira mão.

Todos os prognósticos davam como uma disputa bastante acirrada e com poucos favoritos absolutos, a exemplo do ano passado. E de fato tivemos algumas boas e históricas surpresas que iremos comentar mais á frente. Mas, de inicio vale a pena salientar alguns aspectos da cerimônia em sí.

A apresentadora da noite, Ellen DeGeneres, se saiu razoavelmente bem, mas estava visivelmente “jogando pelo empate”; não arriscou nenhuma piada política ou de cunho sexual (Ellen é homossexual assumida), e ficou na sua zona de segurança o tempo todo. Mas, conferiu mais elegância e criatividade do que seus antecessores dos dois ultimos anos , pelo menos. Particularmente engraçados e originais, foram os momentos em que ela desceu à plateia e improvisou com os convidados e em especial com alguns dos indicados; foi impagável quando Ellen pediu a Steven Spielberg para tirar uma foto dela com Clint Eastwood, por exemplo.

Outro ponto digno de nota, foi um grupo de dança que formava esculturas de sombras vivas simbolizando alguns dos filmes concorrentes, por traz de uma tela; espetacular! Os numeros musicais foram dentro do que sempre acontece todos os anos, mas tivemos um momento muito especial e tocante, quando da premiação de Ennio Morricone com um Oscar honoràrio pelo conjunto de sua obra, algo mais do que merecido. Uma tremenda gafe aconteceu logo no primeiro prêmio, anunciado por Nicole Kidman, quando ela usou a frase “ o vencedor é..”, ao invés da politicamente correta “ e o Oscar vai para…”; outra, quando Ellen DeGeneres fêz menção aos diversos concorrentes de origem mexicana, e incluiu Penelope cruz, que como todos sabem, é espanhola. Mas, ela mesmo, mais trade, corrigiu de forma elegante seu erro.

Em relação aos prêmios, vamos começar com as surprêsas; a maior de todas, Allan Arkin recebendo o Oscar de melhor ator coadjuvante, por “Pequena Miss Sunshine”, quando todos esperavam mais uma premiação para Eddie Murphy. Também surpreendente e inexplicável foi “O Labirinto do Fauno” não receber a estatueta de melhor filme estrangeiro e ao mesmo tempo ganhar outros 3 Oscars (melhor direção de arte, fotografia e maquiagem), sendo o segundo filme mais premiado da noite. Coisas de hollywood… e para quem esperava uma disputa cabeça-a-cabeça entre “Os Infiltrados” e “Babel”, ficou certamente chocado ao ver esse último receber apenas uma minguada estatueta (merecidíssima, por sinal), de melhor trilha sonora original.

As outras barbadas todas se confirmaram, como Forrest Withaker e Hellen Mirren, vencendo nas categorias de melhor ator e melhor atriz, respectivamente, Jeniffer Hudson na de melhor atriz coadjuvante e melhor roteiro original para “Pequena Miss Sunshine”. O prêmio de melhor diretor para Martin Scorcese (finalmente!), não pode ser considerado inesperado, mas deixou um certo suspense no ar até o momento em que foi anunciado por, vejam só, Francis Ford coppola, Steven spielberg e George Lucas. A academia corrigiu uma enorme injustiça ao premiar Scorcese, um dos maiores diretores de todos os tempos, mas que vinha sendo esnobado pelas ultims três decadas, sem piedade. Um momento histórico.

Por fim, o Oscar de melhor filme do ano para “Os Infiltrados garantiu-lhe o quarto prêmio (filme mais premiado), e deu um gostinho a mais para a inesquecível noite de Scorcese. Mas, o grande vencedor da festa mesmo, foi o ex-vice-presidente americano, Al Gore que concorria como produtor na categoria de melhor documentário longa-metragem, com o filme “Uma Verdade Inconviniente”, sobre o aquecimento global. O filme não só ganhou a estatueta de melhor documentário, mas também a de melhor canção original, e Al Gore nunca foi tão ovacionado e elogiado em toda a sua vida. E ainda afirmou ao receber o prêmio, que o filme não tinha nenhum tipo de implicação política. Claro, claro; em hollywood ninguém faz filmes com intenções politicas ou financeiras…

Um abraço,

Leon Neto