O dia das indicações ao Oscar 2008 se aproxima e invariavelmente vem a pergunta: será que dessa vez vai? O cinema Brasileiro já é detentor de diversos prêmios importantes do cinema mundial, incluindo o prestigiadíssimo festival de Cannes, mas a tal estatueta dourada, ainda nos falta. Chegamos perto algumas vezes, contamos com várias indicações, mas o prêmio mesmo, ainda não faz parte de nossa galeria.

Não que eu ache que a citada premiação é assim tão vital para validar a qualidade de nossas produções cinematográfica, mas é fato notório que o Oscar funciona como um selo de garantia que abre muitas portas, especialmente no cinema americano, para atores, produtores e diretores tupiniquins. O prestígio que Fernando Meirelles e Walter Salles gozam hoje na terra de Tio Sam, não seria o mesmo sem as indicações que “Cidade de Deus” e “Central do Brasil”, respectivamente, receberam recentemente. E esse é o principal motivo pelo qual sempre torço por indicações de filmes nacionais; é garantia de mais projeção internacional e principalmente mais verba e investimento para a nossa produção interna.

O filme brasileiro selecionado a concorrer a uma indicação á melhor filme em língua estrangeira esse ano, é “O Ano em que meus pais saíram de férias”, do cineasta Cao Hamburger. Trata-se de um bom filme, com todos os elementos que a academia norte-americana gosta de premiar: crianças protagonistas, fundo político, recriação histórica, doses equilibradas de drama e comédia, e até algumas pitadas de futebol.

Diversos filmes premiados nos últimos anos contaram com atores mirins para alavancar suas chances. Basta lembrar de “Kolya- uma historia de vida”, “Cinema Paradiso”, “Central do Brasil”, “A Vida é Bela” e “O piano”, entre outros. O nosso baixinho, Michel Joelsas está muito á vontade no papel de Mauro, uma criança abandonada á própria sorte, por conta da ditadura militar, no início doas anos 70. Não chega a ser brilhante, mas funciona bem, e como é uma criança linda, acaba estabelecendo empatia com o público logo de início. Em minha opinião, inclusive, a atriz mirim Daniela Piepszyk rouba a cena sempre que contracena com Michel, encarnando uma garotinha espevitada e a mais esperta da vizinhança, com perfeição e charme.

O fato de o filme ser ambientado na ditadura militar e tendo como pano de fundo a copa de 70, também conta a seu favor. Americano sempre se emociona ao ver na tela o tolhimento de direitos civis e a luta pela democracia. E mesmo não entendendo bulhufas sobre futebol, irão reconhecer facilmente e se emocionar com os gols do rei Pelé.

Tecnicamente é um belo filme; enquadramentos pouco usuais, edição ágil e ótima direção de cena fazem de “O Ano” um filme fácil de ser assistido, profundo e tocante. Dá gosto ver como o nível das produções nacionais evoluiu nos últimos tempos. Além de tudo, contar com Fernando Meirelles e Daniel Filho como co-produtores, certamente ajuda bastante, isso sem falar do suporte dos estúdios Miramax trabalhando nos bastidores.

Contra si, o filme tem justamente o efeito colateral das qualidades mencionadas: não traz novidade nenhuma. Por melhor que seja o filme de Cao Hamburger (ô nomezinho…), ele não apresenta nada de novo e bate em teclas muito batidas em premiações recentes. Além disso, os olhos da academia estão bem mais voltados para o cinema do oriente médio, por conta dos conflitos recentes no Afeganistão e Iraque. E parece que vamos ter bons representantes esse ano, para dificultar ainda mais as coisas.

Acho muito difícil recebermos sequer uma indicação esse ano, infelizmente. Uma pena. O filme é muito bom e merece ser visto por uma grande audiência internacional. Especialmente tocante é a participação especial do mestre Paulo Autran em uma de suas ultimas atuações no cinema.

Mas, que isso não diminua nossa apreciação por obras como essa, que resgatam um período difícil de nossa história e nos fazem refletir sobre o momento atual de nosso país, de uma forma descontraída, criativa e pungente. Mais do que premiações internacionais, o apoio do público brasileiro é o que fará com que mais e mais filmes de boa qualidade continuem a ser produzidos no nosso país.

Um abraço,

Leon Neto