Diante do atual quadro de excessos e exploração da sensualidade que reina na mídia brasileira e mundial, confesso que fiquei bastante surpreso ao tomar conhecimento de um manifesto divulgado pelo ator Global Pedro Cardoso.

O referido ator é quase uma unanimidade no meio artístico brasileiro, goza de boa reputação e tem a simpatia de público e crítica já há um bom tempo. Eu particularmente sempre gostei das atuações de Pedro Cardoso, dono de uma comicidade bastante pessoal e sutil. Pedro é mais conhecido por fazer parte do elenco da serie televisiva “A Grande Família” onde faz um hilário motorista de táxi, mas também tem alguma experiência no cinema. gosto particularmente de sua participação em “O que é Isso companheiro?”, no qual é protagonista.

Pedro Cardoso é muito mais ligado à papeis cômicos e leves e ninguém estava esperando que partisse dele a iniciativa de promulgar um “Manifesto contra a nudez de Atores”, quando do lançamento de seu mais novo filme “Todo Mundo tem Problemas Sexuais”, que apesar do título não tem cenas de nu. O ator se aproveitou da ocasião para fazer um discurso acalorado, combatendo diretores e produtores que exploram a nudez de atores e atrizes, surpreendendo à todos.

Dentre suas afirmações, podemos encontrar “quando estou nu, sou sempre eu a estar nu, e nunca o personagem”, e “tirar a roupa não é uma exigência do ofício de ator, mas sim da indústria da pornografia”. Também afirmou que as atrizes são as maiores vitimas e que sobre elas “a opressão da pornografia é exercida com mais violência”. Pedro namora a atriz Graziella Moretto, que acabou de rodar o filme “Feliz Natal”, do diretor estreante Selton Mello, no qual faz um nu frontal, e muitos dizem que seu relacionamento com ela teve direta influência na iniciativa.

Alguns atores e atrizes vieram à publico demonstrar apoio e a maioria dos diretores repudiou o manifesto, como era esperado. Mas, o mais importante foi ter gerado discussões e debates.

Aficionado por filmes que sou, sempre achei que a maioria esmagadora das cenas de nudez no cinema mundial são desnecessárias e gratuitas. Chego mesmo ao exagero de dizer que até mesmo beijos na boca poderiam ser evitados, sem prejuízo para a trama. Essa estória de “beijo técnico”é uma grande bobagem; da mesma forma, dizer que a nudez é do personagem e não do ator, também é balela.

Por outro lado sou defensor da liberdade de expressão artística e não gosto muito de iniciativas que visam cercear a criatividade alheia. Se acho que um filme passa dos limites, simplesmente não assisto ou aproveito para falar mal aqui na coluna, mas acho que diretores e cineastas tem todo o direito de expor suas idéias livremente.

Cabe ao público fazer uso de seu direito de criticar, ou simplesmente rejeitar exageros, assim como cabe à atores e atrizes estudar propostas com mais cuidado e selecionar trabalhos de acordo com sua ética e valores pessoais. O problema é que a sedução do sucesso faz com que a maioria se sujeite aos citados constrangimentos e fique à mercê de diretores menos escrupulosos. Quem quer fazer carreira no cinema, vai se defrontar com situações semelhantes mais cedo ou mais tarde. Por essas e outras é que acho cada vez mais difícil para um cristão se profissionalizar como ator no Brasil.

Tudo é uma questão de escolha. Dinheiro e fama não deveriam ser capazes de comprar a honra e a dignidade de ninguém. Carreira nenhuma é mais importante do que viver de acordo com seus valores e princípios. Em todas as áreas nós cristãos iremos ser confrontados com nossa fé, e o que Deus espera de nós é que façamos boas escolhas, que muitas vezes nos levarão para o caminho mais longo e difícil. Da mesma forma que Cristo resolveu por amor, tomar o longo e tortuoso caminho da cruz.

Um abraço,

Leon Neto