O mundo evangélico ficou chocado essa semana ao saber do cancelamento de um programa humorístico sobre a vida de Jesus em uma tv evangélica da Holanda. Conforme noticiado [url=http://www.folhagospel.com/htdocs/modules/news/article.php?storyid=11830]aqui[/url] no FolhaGospel, o tal programa seria apresentado por Arie Boomsma , bem famoso por aquelas bandas, e parece que teria um formato de “talk show”.

O tal apresentador que nem Cristão é, já andou posando para uma revista gay e já tinha agendado como primeiro convidado um outro ator também não cristão, para fazer alguns quadros humorísticos com temática Cristã. O canal EO, que depende de assinaturas e contribuições para sua existência, resolveu cancelar a atração depois que vários assinantes se revoltaram com a proposta e cancelaram suas contribuições. A partir desse episódio fiquei à pensar sobre se existe possibilidade de humor dentro da dinâmica do evangelho.

No mesmo momento me veio à mente um grande número de pastores que incorporam frases de efeito, “causos”e até mesmo piadas em seus sermões. Alguns se tornaram até famosos por conta disso. Uma piada bem colocada até que ajuda à prender a atenção e dar certo ritmo às mensagens. É difícil não rir, por exemplo de algumas tiradas do Pr. Silas Malafaia, que mesmo falando de assuntos seríssimos consegue ser engraçado. Em especial aqueles pastores que lidam com jovens e adolescentes frequentemente fazem uso desse expediente para emoldurar suas mensagens, e muitas das vezes com ótimos resultados. O Pr. Ergun Canner deão do seminário aqui da Liberty University, é um apologeta de renome internacional, mas consegue também falar para multidões de jovens com maestria e profundidade, justamente por alternar suas meditações com altas doses de humor. Já tive a oportunidade de vê-lo pregando para mais de cinco mil adolescentes das escolas da região e todos foram à loucura com as suas presepadas.

Para quem é batista, não dá para esquecer das saudosas “sociais”, onde os jovens podiam dar vazão à sua veia cômica e entabular brincadeiras, esquetes, e até mesmo algumas danças de salão como a do “Bingo” (“B-I-N-G-O , bingo é seu nome”… lembram?). Os esquetes eram particularmente especiais, porquê era a única ocasião em que a rígida vigilância dos diáconos era suavizada, e tolerava-se fazer graça até do pastor.

Na literatura evangélica, impossível não lembrar de Juarez Azevêdo, que com seus livros da série “Historias para Rir e Chorar” foi um dos pioneiros das “crônicas evangélicas”, se é que existe tal categoria literária. Seus “causos” são de uma singeleza tocante e fazem rir, mas sempre com alguma lição de moral. Além disso, retratam com lirismo o contexto sociocultural das comunidades evangélicas do interior e dos bairros de periferia. Também me lembrei do grande músico e escritor Zazo, lá de Brasília, que está prestes à lançar um livro de crônicas, também nessa linha. Zazo, muito gentilmente me mandou o manuscrito e fiquei encantado ao ver como ele achou a medida certa para combinar humor com poesia. Assim que o livro for lançado, certamente estaremos falando mais sobre ele aqui na coluna.

Depois de sua conversão, Arlindo Barreto , o palhaço Bozo, direcionou sua carreira totalmente para a pregação do evangelho, usando a mesma indumentária característica e elementos de humor infantil. Aqui nos Estados Unidos, já existe inclusive a categoria de “humorista Cristão”; Vários já passaram pela Liberty e todo ano a universidade promove uma noite de comédia com vários deles se apresentando em números de “stand-up” e também fazendo esquetes.

Portanto, penso que existe sim espaço para o humor dentro da dinâmica da vida Cristã. Quem é convertido deve sempre estar de bem com a vida e de bom humor; mesmo diante de provações temos a certeza da vitória e sabemos que tudo podemos naquele que nos fortalece. Seria bom que o mundo nos visse assim, como pessoas alegres, positivas e por quê não dizer, bem-humoradas.

Agora, tudo têm limite; não se deve brincar com coisa séria e acima de tudo jamais tomar o nome de Deus em vão. Os que assim fizerem serão réus do juízo. E programas e filmes que ultrapassam esse limite devem certamente ser repudiados por nós. Afinal, piadas na sua essência refletem pontos de vista,conceitos e até mesmo cosmovisões. Quem ri de piadas racistas, por exemplo , está, no fundo, no fundo concordando com sua mensagem preconceituosa por mais inocente que possa parecer. E quando o assunto é a nossa fé, deveríamos ter ainda mais cuidado.

Um abraço,

Leon Neto