Quando eu era bem jovem na pregação da Palavra, não entendia essa coisa do profeta não ser profeta na sua terra…

Eu queria muito ser a exceção!…

Em Manaus, o povo me ouvia como se eu não fosse de lá… Sim, como se meu passado na cidade tivesse sido “riscado” para sempre… E, assim, aparentemente, eu era Profeta em minha terra na década de 70.

Papai, mamãe e minhas manas, também me ouviam como se eu fosse um estranho chegando com uma mensagem sem desgastes…

Foi quando mudei para Niterói que comecei a ter a experiência de ver o mundo inteiro me ouvindo, mas o “meu povo” fazendo corpo mole…; ou, às vezes, enciumados, fazendo tudo para me dizer que eu viajava muito, mas que era tudo “uma benção”, embora falassem isso com ciúme e certa raivinha… Pensavam que me puniam dizendo: “Quando você não está aqui não muda nada!”

Depois você vai vendo que quanto mais próximos — mulher, filhos, parentes, amigos, irmãos, e gente de todo o dia —, mais dão por certo, mesmo quando amam e respeitam você, que você é dali; e, portanto, está à disposição quando eles precisarem; ou, então, vão, pela familiaridade, ouvindo o que você diz…, sem muita reação, até que um estranho diga a mesma coisa, às vezes até bem menos, mas, pela distância, parece que é algo novo, e, assim, você recebe a notícia de como a mesma coisa [e olhe lá!…] gerou um impacto imenso…; pois, embora fosse óbvio, a estranheza do mensageiro fazia tudo novo para o ouvinte…

Ninguém escapa disso…

Jesus não escapou, por que o discípulo escaparia?

É a tal Síndrome de Nazaré, acerca da qual já preguei muito na vida e também já escrevi aqui no site. Link adicional: http://www.caiofabio.com/2009/conteudo.asp?codigo=02513

No início dá a maior tristeza para o mensageiro, como foi com Jesus, que sofreu ao visitar Nazaré, onde havia sido criado…

Além disso, Sua mãe e Seus irmãos também não o trataram como o povo que o ouvia o tratava…

Foi por isto que Ele disse que a família Dele era feita de quem O ouvia com a avidez dos que ouvem a Palavra de Deus, e não a palavra do filho, do irmão ou do parente…

Quem prega a Palavra, por mais coerente que seja com ela, saiba: sua coerência não cria romance no dia a dia entre os mais chegados e o Evangelho… Eles podem amar você, achar que Deus o usa, mas, se um estranho chegar, creia: a mesma coisa dita por ele será como um oráculo para quem já não ouve você, de tanto que pensam que de você já sabem tudo.

Assim, como diria meu pai, digo a você: “Meu filho, é assim mesmo!…”

Nele, que nos ensinou que nem sempre os “nossos” são os que mais nos percebem e nos aproveitam,

Caio