Recentemente a coluna noticiou o início da produção de um filme baseado na vida do evangelista Billy Graham. Domingo passado tive a oportunidade de assistir a uma das sessões de “prescreening”, algo como uma pré-estréia feita para públicos específicos, para testar a reação da platéia.

A sessão que assisti aconteceu na Igreja Batista Thomas Road, em Lynchburg, que tem dois telões imensos e infra-estrutura comparável à de qualquer sala de cinema. Os produtores decidiram levar o filme para um local onde sabiam que a maioria dos expectadores seria composta de evangélicos, porquê, afinal de contas, esse é o público-alvo da produção.

O filme é centrado nos primeiros trinta anos de vida do evangelista, vistos sob a perspectiva de Charles Templeton, seu amigo e também evangelista, no seu leito de morte. Billy Graham e Templeton tomaram rumos diametralmente opostos na vida. Enquanto o primeiro se tornou o um dos maiores pregadores do evangelho da historia, o segundo desviou-se da fé e passou boa parte de sua vida questionando publicamente os valores Cristãos.

Essa dicotomia é explorada de forma bastante tocante no filme, mas é um pouco prejudicada pela interpretação histriônica e exagerada de Martin Landau. Faltou um pouco de direção na atuação desse bom ator.

Lindsay Wagner que vive a mãe de Billy, tem um papel pequeno, mas empresta dignidade e sensibilidade ao personagem, o que não acontece com Jennifer O’neal, que vive uma repórter de forma muito pouco inspirada e preguiçosa.

Os demais atores, quase todos estreantes se saem bem, com destaque para Armie Hammer que vive o jovem Billy Graham.

O filme contrabalança bem momentos de drama, conflito e humor e tem um ritmo bastante ágil, fluindo fácil e de forma agradável. Contudo, as cenas de sermões, são longas demais e pouco naturais.

A direção pecou um pouco, mas de forma geral conseguiu imprimir sensibilidade e ternura em um filme que traz uma mensagem muito bonita e edificante. Mas confesso que fiquei um pouco decepcionado com a produção em sí. Tecnicamente não chega a ser ruim, mas fica bem abaixo da média das produções seculares. Algumas cenas de flash back sobrepondo atores a imagens de cruzadas evangelísticas são mal feitas e perfeitamente dispensáveis e a produção de arte, apenas razoável.

De forma geral ficou muito mais com cara de “telefilme” do que de “superprodução”, e não creio que a mídia secular vai dar grande importância a seu lançamento.

Mas, isso não será impedimento para que o filme abençoe a vida de muita gente. Especialmente porque o evangelho é pregado de forma clara e explícita o tempo todo.

Algo que Billy Graham continua fazendo sempre que tem oportunidade, mesmo do alto de seus mais de noventa anos de idade.

Um abraço,

Leon Neto