As gerações mais novas sempre pensam que estão reinventando a roda, mas no fundo, no fundo, como diria Belchior “ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”. Na minha adolescência (há muitos, muitos anos passados…), cansei de ir a shoppings centers com grandes grupos de amigos da rua, da igreja, do colégio. Nada muito diferente da ideia básica desses tais “rolezinhos”. Claro que nunca reunimos 300, 500 pessoas, mas às vezes os grupos chegavam à uns 30 ou 40, numero suficiente para assustar lojistas e transeuntes incautos.

Não é de hoje que os shopping centers se transformaram em uma das poucas atividades que podem ser feitas em condições de segurança e conforto nas caóticas grandes cidades brasileiras. Por isso, nada surpreendente que pessoas de todas as idades e principalmente adolescentes vejam os shopping centers como alternativa de lazer. Para os pais viraram quase que depositários, onde largam os filhos para só buscá-los de noite. Ver grupos de adolescentes em shopping centers é algo extremamente comum.

O que incomoda nesses “rolezinhos” não é a aglomeração de adolescentes, nem a classe social, muito menos a cor da pele; o problema é o comportamento. Para lojistas e empresários, quanto mais gente, melhor; maior é a chance de alguém resolver comprar alguma coisa. O problema é quando a aglomeração vira baderna e ameaça os outros frequentadores do mesmo espaço e quando põe em risco a atividade comercial, que é a razão da existência dos shoppings centers.

Se, conforme alguns afirmam tudo não passa de uma atividade sadia e sem implicações políticas, apenas um grupo de jovens querendo se divertir, então que se comportem de acordo com o ambiente em que estão. E isso não tem nada a ver com elitismo, como celebridades e jornalistas de esquerda querem fazer parecer. É, guardando as devidas proporções, como se fosse justificável ficar falando alto e cantando funk em uma peça de teatro ou concerto de musica clássica. Se não querem respeitar as normas de conduta, que procurem outro local para se divertir.

De todas as implicações que tentaram fazer aos “rolezinhos”, as mais absurdas foram as associações ao racismo e segregacionismo. Eu e meus amigos nunca fomos barrados em lugar algum e eu nunca vi ninguém ser barrado até hoje, muito menos por ser negro ou pobre. Em Recife, nos shoppings que costumo frequentar vejo pessoas que aparentam ser de baixa renda o tempo todo, vejo gente de todas as “raças” e tribos e ninguém é impedido de entrar em shoppings ou em loja nenhuma. Só mesmo na cabeça de gente ignorante e tendenciosa é que shopping center é sinônimo de elitismo…

Mas, se os “rolezinhos” são na verdade uma forma de protesto, seus participantes precisam decidir contra o que estão protestando. Querem acabar com os shoppings centers? Querem denunciar racismo? Querem protestar contra o governo? Querem reclamar do preço da arroba do café? Decidam-se. E se for mesmo um protesto, que saiam às ruas como fizeram muitos , não faz tanto tempo assim , mas que aparentemente já caiu no esquecimento da maioria.

Parece-me que os “rolezinhos” na essência não são muito diferentes dos passeios em grupo que fazíamos na minha adolescência. Nós queríamos apenas uma diversão segura e barata. Se é isso que eles querem também, independente de classe social ou cor da pele, basta ir a qualquer shopping center e se comportar adequadamente.

Um abraço,

Leon Neto