Pois é, parece que a edição nacional do programa norte-americano “The Voice” já está fazendo o maior sucesso no Brasil. Sinceramente eu não entendo como programas desse tipo ainda conseguem tanta audiência.

Até porque, no frigir dos ovos, “American Idol”, “The Voice”, “X Factor” e outros congêneres, na verdade não passam de versões mais rebuscadas dos toscos programas de calouros que já estão rolando nas TV’s do mundo todo desde os anos 50. Achei que como eu, as pessoas já não tivessem mais paciência para essa fórmula surrada, usada e reciclada de tantas formas. Mas, parece que o grande público gosta mesmo é de mesmice.

A exemplo de “Ídolos” a versão tupiniquim de “American Idol”, “The Voice Brasil”, copia exatamente a fórmula do original, que na verdade já era uma cópia de um programa holandês, sem mudar nada em termos de formato. E como dessa vez trata-se de uma produção com o “padrão Globo de qualidade” (seja lá o que isso significa), já esperava-se um orçamento à altura, com cenários e qualidade de primeiro mundo. A escolha de Tiago Leifert, faz todo o sentido; ele é bem humorado, engraçado às vezes, e é dos poucos apresentadores da Globo que tem desenvoltura e espontaneidade para programas ao vivo, ou com auditório. Ele de fato está muito melhor nesse programa do que quando apresenta o Globo Esporte, onde raramente faz algum comentário relevante e se resume a suas piadinhas de algibeira. Agora, em relação aos jurados, a coisa muda de figura.

Na versão original, “The Voice” teve como jurados Christina Aguillera, Adam Levine, Cee Lo Green e Blake Shelton, artistas consagrados em gêneros diversos, respectivamente pop, rock, R&B e country. Na versão brasileira, buscaram a mesma lógica ao trazerem Claudia Leite, Lulu Santos, Carlinhos Brown e o sertanejo Daniel. Sob o ponto de vista organizacional até que faz sentido, mas a diferença é que os jurados americanos são bons cantores em seus respectivos estilos.

Se era para trazer alguém que cantasse bem axé music , que fosse a Ivete Sangalo ou Daniela Mercury; mas Claudia Leite? Apesar do monstruoso sucesso que ela faz junto a seus fãs, em termos de técnica vocal ou musicalidade, ela tem muito pouco pra ensinar. E o que dizer de Daniel? Ele na verdade não é tão ruim como Claudia Leite, mas é meio inerte como cantor; se era pra trazer alguém que representasse bem a classe dos sertanejos, que trouxessem o Xororó que pelo menos tem a voz caprina característica dos ditos-cujos. Lulú Santos é um grande músico, bom guitarrista e arranjador e tem algumas ótimas composições; mas também não é nenhum fenômeno como cantor. E Carlinhos Brown… bem, eu nunca vou conseguir entender a genialidade que a ele imputam alguns intelectuais que conheço.

Pra ser bem sincero, eu assisti aos primeiros programas só pra poder escrever essa coluna; confesso que não vou ter a menor paciência pra acompanhar a trajetória dos candidatos, alguns com ótimas vozes, até. Mas, se aguentar a Claudia Leite cantando já é difícil, aguentar seus comentários é tarefa Hercúlea.

Bem, cada país tem a Christina Aguillera que merece…

Um abraço,

Leon Neto