A vice-presidente da Comissão Internacional de Liberdade Religiosa dos Estados Unidos (USCIRF) declarou à subcomissão interna que as minorias cristãs no Oriente Médio são importunadas e seus membros são mortos pelos governos.

Em uma audiência intitulada “A situação das minorias religiosas: o pluralismo religioso pode sobreviver?”, Nina Shea, vice-presidente da USCIRF, falou sobre as condições da liberdade religiosa no Egito, Irã, Iraque e Arábia Saudita – países do Oriente Médio – e também no Paquistão. Ela fez sugestões à política norte-americana.

“Um dos temas comuns a cada um desses países é a extensão com que um governo perpetua o ódio contra minorias religiosas e encoraja extremistas religiosos de dentro de sua sociedade ou mesmo além das fronteiras. Isso é feito através do sistema educacional, da mídia oficial e de outras políticas governamentais”, resumiu Nina Shea depois de relatar, em 30 de junho, a situação de cada país diante da Subcomissão para a África de Direitos Humanos e Operações Internacionais da Câmara de Relações Internacionais.

A vice-presidente começou seu testemunho falando do Egito, que está na lista da comissão desde 2002. Nina Shea relatou que a “discriminação, intolerância e outras violações dos direitos humanos” estão afetando um grande número de grupos religiosos, incluindo os cristãos ortodoxos coptas e aqueles que não aderem à interpretação adotada pelo Estado do islamismo sunita.

Nina Shea observou que as relações entre egípcios muçulmanos e cristãos estão “cada vez mais tensas”, dando como exemplo os ataques a facadas contra cristãos em três igrejas na Alexandria, em abril, que deixou um idoso morto e 16 feridos.

“Embora o governo alegue que um homem perturbado mentalmente foi o único responsável, há evidência de que esses ataques foram motivados por questões religiosas”, disse ela.

Os cristãos também foram atacados por extremistas, no início deste ano, em Luxor, onde dezenas de pessoas ficaram feridas, e em outubro passado, em Alexandria, onde outras três pessoas foram mortas em confrontos.

Além disso, é difícil obter licenças para reparar ou construir templos não-muçulmanos, em virtude das leis restritivas, segundo o que declarou Nina Shea.

Êxodo cristão

No Irã, a liberdade religiosa tem se “deteriorado” desde o ano passado, uma vez que “todos os grupos minoritários estão enfrentando muita perturbação, detenções e prisões. A repressão atingiu um nível jamais visto desde os anos que se seguiram à revolução de 1979”, testemunhou a defensora internacional dos direitos humanos.

Nina Shea afirmou que muitos cristãos iranianos fugiram do país depois de se tornarem vítimas da perseguição.

“Diante da violência, membros dessas frágeis comunidades continuam a fugir do país em um êxodo que pode significar o fim da presença no país da antiga comunidade cristã e de outras minorias religiosas que têm vivido naquelas terras por dois mil anos”, disse Nina.

Para exemplificar, Nina Shea ressaltou que nos últimos 15 anos, muitos cristãos foram mortos pelos governos e dezenas estão “desaparecidos”.

A ancestral comunidade cristã no Iraque também está sob a ameaça de ter que fugir do país por causa do perigo da violência constante, inclusive sendo alvo de ataques coordenados a bomba nos últimos dois anos.

No Paquistão, o extremismo religioso resulta em violência e leis discriminatórias, que são as duas principais fontes de problemas.

De modo semelhante, na Arábia Saudita o governo viola a liberdade religiosa através da aplicação estrita de leis intolerantes que proíbem todas as formas de expressões religiosas públicas que não a da escola Hanbali do islamismo sunita, adotado pelo governo.

Nina Shea é comissária da USCIRF desde a sua criação, em 1999. Ela é defensora dos direitos humanos há 25 anos e é diretora do Centro para Liberdade Religiosa, uma divisão da Casa da Liberdade.

A USCIRF foi criada pelo Ato Internacional de Liberdade Religiosa de 1998 para monitorar a situação da liberdade de pensamento, consciência, religião e fé fora do país, como define a Declaração Universal dos Direitos Humanos e instrumentos internacionais relacionados, e para fazer recomendações políticas independentes ao presidente, à Secretaria de Estado e ao Congresso.

Fonte: Portas Abertas