Confirmada na Quarta-feira de Cinzas (21), a venda para a Rede Record de três veículos do grupo gaúcho de comunicação Sistema Guaíba/Correio do Povo (a TV e as Rádios Guaíba AM e FM) preocupa os profissionais de imprensa.

Em nota oficial, o Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul condenou a transação e está solicitando uma reunião com a direção da Record para esclarecer como se dará o processo de implantação da Rede no Estado.

Segundo informações que circularam na imprensa gaúcha e nacional, a negociação não envolve o jornal Correio do Povo e os veículos on-line do sistema Guaíba. Algumas das preocupações quanto ao controle da TV e das duas emissoras de rádio passarem para o grupo do bispo Edir Macedo – um dos dirigentes da Igreja Universal do Reino de Deus – referem-se à possibilidade de redução da programação local e a possíveis demissões, uma vez que outra TV gaúcha, a Pampa, é atualmente a retransmissora da Rede Record, com os contratos vencendo em 2008 para a região de Porto Alegre e em 2009 para outras regiões do Rio Grande do Sul.

Avaliada em R$ 100 milhões, a negociação foi questionada pelo Sindicato dos Jornalistas do RS. “Todos sabem que a operação de emissoras de rádio e TV depende de concessão pública definida e delimitada em lei federal. Se, por qualquer razão, o permissionário não está mais interessado em operar, deve devolver sua licença ao Ministério das Comunicações e negociar apenas o patrimônio físico – prédios e equipamentos”, registra a nota emitida pelo Sindicato.

A entidade declarou ainda que “neste caso, como em todos os “negócios” que ocorrem no Brasil, os donos da mídia privada vendem as concessões públicas com toda a liberdade e cumplicidade do Governo Federal”.

Diante da falta de informações públicas sobre a negociação e seus desdobramentos, o Sindicato dos Jornalistas do RS lançou vários questionamentos sobre possíveis impactos nos postos de trabalho dos jornalistas e radialistas que atuam nas emissoras envolvidas no negócio e quer uma reunião com a direção da Rede Record.

Fonte: O Jornalista