A compra da Faculdade Batista de Vitória (Fabavi), no Espírito Santo, pelo empresário Ricardo Mansur, em outubro do ano passado, deve ser desfeita ainda esta semana. O motivo seria o atraso no pagamento de parcelas do negócio, estimado entre R$ 30 milhões e R$ 40 milhões.

Fontes ouvidas pela Agência Estado apontam que Convenção Batista do Espírito Santo, entidade máxima da igreja no Estado, aprovou o fim do acordo porque o empresário, que não fala com a imprensa, não teria honrado o contrato.

A assessoria da Fabavi informou, por meio de nota, que a Investicorp, empresa comandada por Mansur e que passou a ser mantenedora da Fabavi, está “conversando com o IBEV (Instituto Batista de Educação de Vitória, antigo mantenedor) sobre uma nova forma de operação da instituição”. Informou também que, “assim que chegarem a uma conclusão, os interessados serão prontamente informados”.

Já o pastor Jésus Silva Gonçalves, antigo diretor corporativo do Ibev, que assumiu a direção da Fabavi após o negócio com Mansur, afirmou à reportagem que “um fato relevante será divulgado ainda esta semana sobre o assunto pelas duas instituições”. Indagado sobre o fracasso do negócio, Gonçalves encerrou a entrevista: “Não estou autorizado a falar mais nada.”

A Agência Estado procurou desde a segunda-feira, 6, Evaldo dos Santos, pastor que preside a Convenção Batista do Espírito Santo, mas ele não atendeu à reportagem. A venda da Fabavi para a Investicorp provocou, à época, críticas de membros da Convenção Batista Capixaba, que questionaram o Ibev pelo negócio com Mansur.

A aprovação do fim do negócio só não teria sido divulgada ainda porque algumas pendências ainda precisariam ser resolvidas entre as duas partes. Além disso, representantes de Mansur teriam feito uma nova proposta para manter a Fabavi sob o comando do empresário. A instituição tem sede e campus na capital do Espírito Santo e outros três campi no Estado, nos municípios de Guarapari, Serra e Vila Velha.

Além da Fabavi, que tem cerca de 4 mil alunos, 13 cursos de graduação, 26 de pós-graduação, seis tecnológicos e um MBA em Gestão de Negócios, o Ibev é mantenedor do Colégio Americano Batista, com quatro unidades em Vitória e duas em Guarapari e que não entrou no negócio com o empresário.

Enquanto isso, Mansur, que ganhou notoriedade por comandar as falidas redes varejistas Mesbla e Mappin, além do banco Crefisul, segue em Ribeirão Preto (SP), de onde administra duas usinas de açúcar e álcool adquiridas desde o ano passado: a Galo Bravo, na cidade do interior paulista, e a Destilaria Pignata, na vizinha Sertãozinho.

No último dia 12 de março, o juiz Luiz Beethoven Ferreira, responsável pelo processo de falência do Mappin, nomeou um síndico exclusivo para trabalhar na “obtenção de ativos eventualmente desviados, ou malversados”, por parte de Mansur. A atitude do juiz ocorreu após o jornal “O Estado de S. Paulo” revelar que, além dos negócios feitos com usinas e com a Fabavi, Mansur levava uma vida de luxo em Ribeirão Preto.

Fonte: Estadão