O presidente da Associação Mundial de Comunicação Cristã (WAAC, a sigla em inglês) para a América Latina, Dennis Smith, disse que muitas pessoas encontram nos movimentos fundamentalistas religiosos um sentido de disciplina e auto-estima.

Assim que conseguem sobreviver em ambientes políticos e econômicos conturbados, a exemplo do cenário latino-americano.

“As pessoas buscam essas alternativas precisamente porque as instituições religiosas tradicionais, católicas ou protestantes, não respondem adequadamente às suas necessidades”, frisou Smith na abertura do encontro anual dos membros da subregião Brasil da WACC, realizado na Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), dias 7 e 8 de julho.

O encontro de São Paulo reuniu 36 comunicadores das igrejas católica, luterana e metodista. Na ocasião, o Brasil sediou pela primeira vez a Cátedra Itinerante da WACC América Latina, que em 2006 enfoca a temática “Fundamentalismos Religiosos, Política e Comunicação”.

Missionário presbiteriano que trabalha no Centro Evangélico de Estudos Pastorais na América Central (CEDEPCA), da Guatemala, Smith considerou “inútil” travar competições com os neopentecostais, mas destacou a importância das igrejas “reimaginarem” suas estratégias pastorais, sua teologia, tradições teológicas, missiologia e eclesiologia à luz da conjuntura atual.

“Eu, de minha parte, seguirei presbiteriano e tratarei de ajudar a minha igreja a posicionar-se nesta nova realidade”, anotou.

Pesquisador e doutorando em Ciências da Religião pela UMESP, Saulo Baptista também ministrou palestra no encontro de São Paulo. Elefalou sobre “Fundamentalismo e Identidade no Campo Evangélico Brasileiro”.

Segundo Baptista, 15% da população brasileira pertencem a igrejas protestantes e pentecostais. Desse percentual, sete milhões são de protestantes e evangélicos tradicionais e 20 milhões de pentecostais e neopentecostais. “As ‘religiões de espírito’ crescem assustadoramente, apesar de terem menos de um século de presença na sociedade brasileira”, frisou.

O pesquisador argumentou que veículos de comunicação e a própria sociedade brasileira identificam os evangélicos como grupos que se destacam por práticas mercadológicas e midiáticas. “A identidade evangélica foi conquistada pelo neopentecostalismo”, afirmou.

Quanto à crescente influência das igrejas pentecostais, Baptista disse que embora essas denominações tenham lideranças autoritárias e centralizadoras que manobram os fiéis, elas conseguem incluir marginalizados sociais e elevar a auto-estima dos seus seguidores.

Fonte: ALC