Padres dizem que cristãos estão deixando o país, que já teve 1,4 milhão de fiéis e hoje não tem mais do que 500 mil.

Após a invasão americana no Iraque, em 2003, a comunidade cristã do país foi alvo de diversos ataques. O último – e talvez o mais marcante – ocorreu em 31 de outubro 2010, quando 58 cristãos foram mortos no templo da Nossa Senhora da Salvação, em Karrada, no centro de Bagdá.

Desde então, medidas de segurança foram intensificadas e, segundo sacerdotes e fiéis, os cristãos passaram a deixar o país em maior escala. Estima-se que até 1,4 milhão de católicos, ortodoxos e protestantes já povoaram o país. Hoje, essa população não passa de 500 mil.

O acesso a cada uma das cinco igrejas de Karrada é controlado por policiais e soldados armados com fuzis, que pertencem à mesma congregação que protegem. A medida já existia desde o início do recente conflito sectário. Após o ataque de 2010, porém, passou a ser aplicada com mais rigor em razão da desconfiança de que os muçulmanos que guardavam o templo da Nossa Senhora da Salvação não teriam se esforçado para impedir que os radicais ligados à Al-Qaeda realizassem a matança no templo – cujo sacerdote responsável não permitiu a entrada da reportagem, após três visitas ao local.

Jan Zakerian, de 35 anos, católico armênio, decidiu deixar o restaurante de kebabs em que trabalhava e juntar-se à polícia em 2009, depois que um amigo, policial da mesma congregação religiosa, foi gravemente ferido em um ataque contra um mosteiro em Bagdá. “Isso me deu vontade de agir. Quem vai proteger esses lugares sagrados senão nós mesmos? Somos muito poucos os cristãos.”

Hoje, Zakerian faz a segurança da igreja do Sagrado Coração de Jesus, no leste de Karrada. Como a maioria dos cristãos, ele sente falta dos tempos de Saddam. “Naquela época, vivíamos em paz”, disse. Assim como sua mãe e seus três irmãos, que trocaram o Iraque pela Alemanha, o policial pretende emigrar. “Já dei entrada no pedido de visto para mim, minha filha (de 1 ano) e minha mulher. Minha menina merece uma boa educação.”

[b]Fonte: Estadão[/b]