Projeto de lei concede área pública para implantação de serviços de televisão aberta pertencente a uma igreja evangélica.

Projeto de lei do Executivo votado na Câmara de Vereadores de Porto Alegre (RS) na tarde desta quarta, 4, foi polêmico. O projeto autoriza a administração municipal a conceder área pública para a Farol Radiofusão LTDA, para implantação dos serviços de televisão aberta pertencente a uma igreja evangélica. Thiaguinho e Renato Albuquerque (PMDB) não se encontravam no momento. Com a abstenção dos dois, a aprovação do projeto foi viabilizada por 6 a 4.

O terreno de 1.664 metros quadrados, que será cedido por 10 anos, podendo a cedência ser prorrogado por igual período, fica nas proximidades do Parque de Exposições Felinto Eládio da Silveira, no bairro Rural.

Votaram a favor Luciane Compiani Branco e Kanelão (PMDB), Repolinho (PSDB), Delamar Mirapalheta (PDT) e Giovane Morales (PTB).Votaram contra os vereadores Júlio Martins e Nando Ribeiro (PCdoB) e Cláudio Costa e Luiz Francisco Spotorno (PT).

Spotorno usou seu tempo na tribuna para dizer de sua indignação. “É de entristecer, de ficar estupefato. Como vamos doar uma área nobre a uma entidade privada, que usou do subterfúgio da razão social de uma igreja para conseguir o que queria”, indagou, dizendo ainda que gostaria de saber o que mobilizou o prefeito Fábio Branco a defender com tanta veemência a transferência do bem público para o bem privado.

Lembrou que esta foi a segunda vez que o projeto foi para votação. Na primeira vez, deu empate, sendo o voto do vereador Thiaguinho, presidente naquela oportunidade, o minerva, que negou o pedido do Executivo. Desta vez, Thiaguinho não votou. Disse que nem sabia que este projeto estava na pauta. “Tive que sair e quando cheguei, já tinha sido votado. Mas como da primeira vez, mantenho-me contrário. Não concordo em entregar uma área nobre por 10 anos para interesse privado”, ressaltou.

Renato Albuquerque disse que sabia que o projeto iria entrar na pauta do dia. “Sai para dar um telefonema. Quando voltei já haviam decidido. Mas sou contrário”, afirmou, lembrando que entrou com um requerimento pedindo ao Executivo a liberação para venda de áreas que não são de interesse, para que sejam comprados maquinários e equipamentos para suprir as secretarias e que estas possam atender as demandas do Município.

A vereadora Luciane Branco, favorável ao projeto, disse que esta não é a primeira área que o Executivo cede para uma rede de televisão. “Vai gerar empregos, é canal aberto e vai levar o nome do Rio Grande para outros municípios. E todo aquele que leva a fé até as pessoas merece ser apoiado”, argumentou.

[b]Fonte: Jornal Agora[/b]