Documento que circula no mundo ortodoxo, que leva por título “Confissão de fé contra o ecumenismo” e assinado por seis metropolitas da Grécia, da Sérvia, do Kosovo e dos Estados Unidos, ataca e condena o diálogo entre denominações cristãs na busca da unidade.

Como cristãos que acreditam na Santíssima Trindade, os seis metropolitas ortodoxos assinalam no documento que eles não têm “o mesmo Deus de nenhuma outra religião, nem o das chamadas religiões monoteístas, judaísmo e islamismo, que não acreditam na Santa Trindade”.

“Confissões” diz que o cristianismo papista é o “berço de todas as heresias e de todos os erros”, que a Igreja Católica exagerou suas próprias doutrinas eclesiológicas, mariológicas. O Concílio Vaticano II, na concepção dos seis ortodoxos, inventou a “pan-religião” e reconheceu uma “vida espiritual” nas outras fés.

Mas pior que os católicos-romanos, acusam os metropolitas, são os protestantes, que perderam os sacramentos. “Confissões” classifica de “pan-hereges” o patriarcado de Constantinopla e o Santo Sínodo, pois comprometeram a Igreja do Oriente no caminho ecumênico.

“Queremos acreditar que os hierarcas que assinaram (as “Confissões”) não compreenderam que estão liderando um cisma”, respondeu o patriarca ecumênico Bartholomeos I, lembrando que o compromisso ortodoxo ao diálogo ecumênico foi assumido de forma sinodal (conjunta) por todas as igrejas, em 1986.

O historiador italiano e professor da Universidade de Modena-Reggio, Alberto Melloni, comentou, em artigo para o jornal Corriere della Serra, edição do dia 16 de novembro, que o sentido mais profundo dessa iniciativa contra o ecumenismo não está uma questão intra-ortodoxa.

“A medida dos zelotas do Oriente lembra muito de perto – pelo léxico e pelos objetivos – o tradicionalismo católico, o integrismo luterano, o fundamentalismo congregacionalista, os exilados anglicanos”, assinalou.

Fonte: ALC