O Conselho de Ética da Câmara aprovou nesta terça-feira, por unanimidade, o parecer da deputada Solange Amaral que pediu o arquivamento do processo movido pelo PTC contra o deputado Mário de Oliveira (foto à dir.), do PSC-MG acusado de encomendar o assassinato do deputado Carlos Willian (foto à esq.), do PTC-MG. Ambos são pastores da Igreja Quadrangular.

A relatora arquivou o caso por falta de provas.

Oliveira é acusado de encomendar o assassinato do deputado Carlos Willian (PTC-MG). Willian e Oliveira são adversários políticos em Minas e tinham rompido publicamente antes do episódio.

O PTC entrou com representação contra o deputado Mario Oliveira no Conselho de Ética da Câmara em 2007. As investigações partiram de uma acusação feita pela Polícia Civil de Osasco (SP). De acordo com a polícia, Odair Silva, integrante da Igreja do Evangelho Quadrangular, confessou ter seguido orientação de Mário de Oliveira, presidente da denominação evangélica, para contratar uma pessoa, por R$150 mil, e matar Carlos Willian.

Os policiais descobriram por acaso o suposto plano para matar Willian. As gravações, autorizadas pela Justiça, foram feitas nas investigações de um homicídio na capital paulista. Dois suspeitos eram monitorados: Odair da Silva, apontado como intermediário, e o pistoleiro Alemão.

Depois da votação, Mário de Oliveira afirmou que se sentiu triste com todo o processo:

– Não tenho passagem pela polícia, nem tenho nada contra nenhum deputado. Vi meu nome jogado no ar de forma negativa, mas hoje vejo que o processo no conselho foi a melhor coisa que me aconteceu, pois me inocentou. Se não houvesse a investigação do conselho, estaria hoje sujeito a uma cassação injusta.

Em nome do PTC, a advogada Gerusa Agami Manato leu mais uma vez trecho do parecer do Ministério Público afirmando que houve uma tentativa de encomendar o assassinato de um parlamentar pelo outro. Ela informou que Carlos Willian e sua família sofreram muito com todo o processo.

– O deputado é uma pessoa ilibada. Não vamos contestar o conselho, que é unânime e soberano. Vamos aguardar que a decisão tenha sido a mais acertada – disse.

Já o advogado do deputado Mário de Oliveira, Itapuã Messias, considera o parecer do Ministério Público uma espécie de “lavar as mãos”. Ele destacou que não foi levado em consideração o segundo depoimento da testemunha-chave, Odair da Silva, que negou a tentativa de assassinato de um parlamentar pelo outro.

– Nem tudo aquilo que a Procuradoria-Geral da República diz é verdadeiro – ressaltou.

Conselheiros lamentam falta de investigação das acusações

O deputado Antônio Andrade (PMDB-MG) lamentou a falta de investigação pelo Ministério Público e pela Polícia Federal, assim como o fato de o Conselho de Ética não ter o poder de convocar testemunhas.

O presidente do colegiado, deputado Ricardo Izar (PTB-SP), ressaltou que o conselho não consegue fazer o papel de polícia e elogiou o esforço da relatora Solange Amaral para conseguir provas e levar a investigação adiante.

Fonte: O Globo