O Conselho de Ética da Câmara vai pedir a quebra dos sigilos bancário e telefônico do deputado federal Mário de Oliveira do PSC-MG (foto a direita), presidente nacional da Igreja do Evangelho Quadrangular e suspeito de ter planejado o assassinato do deputado federal, Carlos Willian do PTC-MG (foto a esquerda).

O pedido será encaminhado à Justiça, já que, até agora, os sete depoimentos prestados ao conselho pelos deputados envolvidos e policiais paulistas, que descobriram o plano, nada explicaram sobre a suposta tentativa de homicídio.

A medida será encaminhada depois do depoimento do obreiro e funcionário da Quadrangular, Odair da Silva, que teria intermediado a contratação de um pistoleiro, e do pastor Celso Braz do Nascimento, que seria o responsável por arregimentar Odair da Silva para ajudar no planejamento da ação.

Além da quebra dos sigilos, o Conselho de Ética quer também pedir ajuda da Polícia Federal para investigar o caso, já que ela, até agora, cumpre apenas diligências requeridas pela Procuradoria da República, antes de dar parecer sobre o caso. O inquérito está sendo instruído pelo Supremo Tribunal Federal (STF), porque o parlamentar tem direito a foro privilegiado.

“O caso é muito grave e precisa ser esclarecido de qualquer forma, por isso vamos lançar mãos de todos os recursos que necessitarmos”, disse o deputado federal Antônio Andrade (PMDB-MG). Outra medida a ser adotada é a acareação entre Carlos Willian e Mário de Oliveira e também dos dois com Odair, que confessou à Polícia Civil de São Paulo ter recebido do chefe da Quadrangular R$ 40 mil para contratar o pistoleiro.

“O Conselho de Ética trabalha com três hipóteses para o caso: tentativa de homicídio; armação de um deputado contra o outro; ou armação de um terceiro contra os dois deputados”, comentou José Eduardo Cardozo (PT-SC).

Reserva

Na quinta-feira, durante os depoimentos dos cinco policiais do 7º Distrito Policial de Osasco (SP), responsáveis pela descoberta do plano de execução, em dois momentos a reunião foi fechada ao público.

Segundo Andrade, o chefe dos investigadores, Geraldo Buscariolli Júnior, e a detetive Antonieta Buonopana pediram que parte de suas declarações fossem reservadas. O objetivo dos policiais era fornecer informações ao conselho, apesar da falta de provas, e emitir opiniões pessoais.

“A sessão fechada foi esclarecedora sobre a motivação das denúncias da suposta tentativa de homicídio”, disse Cardozo. Durante a sessão foi aprovado o pedido da defesa de Oliveira para perícia na gravação telefônica entre Odair e o pistoleiro conhecido como Alemão e no DVD da acareação entre obreiro e o pastor Celso Brás do Nascimento.

O material foi enviado ao conselho pela Polícia Civil de São Paulo, que conduziu as investigações por apenas dois dias. Por determinação judicial, o caso foi repassado ao STF, após comunicação à Justiça de Osasco.

Fonte: Uai