Rachaduras em residências e trepidações se tornaram incômodo constante para moradores do entorno da obra do templo da Igreja Universal do Reino de Deus, localizada em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

Eles elaboraram um abaixo-assinado que motivou vistoria feita na tarde desta quinta-feira por profissionais do Crea/MS (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Mato Grosso do Sul) à obra do templo.

“Não sou contra construir não mas sou contra destruir a casa dos outros”, diz Janete Bandeira, proprietária de uma casa no Rua Padre João Crippa, quase na esquina do local onde é construída a igreja. Com uma lista de assinaturas nas mãos, ela mostra rachaduras no portão, sala e nos fundos do imóvel. Segundo Janete, os problemas começaram a surgir há 15 dias, quando o rolo de compactação do solo passou a ser usado na obra.

A vizinha Mirian Lelis da Silva mostra as rachaduras da residência ao arquiteto e chefe de gabinete do Crea/MS, Horácio Almeida Liberato. Ele explicou que na fase de compactação do terreno ocorre vibração e, como na região existem muitas edificações antigas, algumas sem vigas de concreto na estrutura, pode ter agravado a situação.

Entretanto, José Carlos Matos Lins, que trabalha em uma garagem também na Rua Padre João Crippa, revela que nem mesmo o imóvel construído há quatro meses suportou à vibração causada pelas máquinas.

Já o dono de um buffet localizado na Rua Abrão Júlio Rahe, Carlos Machado, reclama que não pode deixar as louças expostas por temer que a trepidação destrua as peças. “Tem hora que treme tudo aqui”, conta. Ele explica que na cozinha, foi necessário retirar taças e pratos do armário. No estabelecimento, paredes e o teto da sala e da cozinha estão rachados. “A janela parece que tem hora que tem um terremoto”, reforça Carlos.

De acordo com o arquiteto, após a inspeção, um técnico em engenharia civil irá visitar a obra e elaborar um laudo, que deve ser concluído em aproximadamente dez dias. No trabalho de hoje, Horácio Almeida Liberato e a equipe averiguaram se as queixas dos moradores procedem. Eles percorreram além da obra da igreja, imóveis localizados no entorno.

O diretor da construtora Efer, Carlos Eduardo de Oliveira, afirma que nenhum serviço “fora do convencional” tem sido feito. “Me estranha porque esse tipo de coisa (reclamação) porque tem um muro aqui (ao redor da igreja) sem estrutura e nenhuma parte foi abalada”, reforça.

O engenheiro fiscal da obra,Selsun José Rodrigues, afirma que se houve rachadura é porque a construção é antiga. Ele alega ainda que o templo está no centro do terreno, portanto, não poderia comprometer a estrutura de imóveis vizinhos sem destruir, por exemplo, o muro da igreja. “Eu fico constrangido das pessoas falarem uma coisa desta”, conclui o pastor Manoel Honório de Oliveira.

Fonte: Campo Grande News