Vizinhos de obras de igrejas que não possuem licenças dos órgãos responsáveis no Amazonas temem que o pior possa acontecer.

A construção de igrejas evangélicas sem licenças dos órgãos responsáveis está deixando alguns vizinhos dos templos muito aflitos. Há quase uma década lutando para poder deixar de ouvir dentro de casa as falas dos pastores da Igreja Evangélica do Avivamento Jesus é o Caminho como se estivesse dentro da igreja, o músico Roberto Sá Gomes, vive outro pesadelo também provocado pelos integrantes da congregação religiosa. Desde o último mês de abril, a igreja escavou o terreno e construiu um muro colado à parede da casa de Roberto, sem qualquer licença.

Na rua Conde de Santa Cruz, na comunidade Mundo Novo, próximo ao Parque das Laranjeiras, vizinhos também denunciaram e embargaram uma obra que está sendo construída no terreno da Igreja Chama Evangelística, do Ministério Internacional Chama Evangelística, criado há dez anos em Manaus, segundo o pastor Richard Matos, 32.

Para o músico Roberto Sá Gomes, o temor é que aconteça o mesmo que em São Paulo, quando a obra irregular de uma igreja embargada desmoronou. Ele diz que a estrutura da casa dele, já abalada pela grande movimentação no terreno ao lado. Desesperado com a demora nas decisões sobre os recursos já impetrados em vários órgãos municipais ligados à poluição sonora e à construções irregulares, Roberto disse estar vendo a hora de sua casa, situada na avenida Constantino Nery, Chapada, Zona Centro-Oeste, desabar e vitimar alguém.

Com processos no Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Amazonas (Crea-AM) e Vara Especializada do Meio Ambiente e Questões Agrárias (Vemaqa), o músico, que mora há 36 anos no local, sente-se abandonado pelo poder público.

Segundo ele, na madrugada, os trabalhadores só param de trabalhar e fazer barulho quando é chamado o policiamento do Ronda nos Bairros. O pastor Aroldo Teles de Oliveira, que já foi até preso em flagrante por poluição sonora, desrespeita solenemente a lei, reforça o músico. “Eles não têm dia nem hora para fazer barulho e quando são questionados se dizem perseguidos pelo vizinho. Para Roberto, tantos anos esperando por uma decisão da justiça são indicativo de que algo está errado com esse nome. “Não tenho nada contra a prática religiosa, só quero ter direito de viver em paz com a minha família e quero lembrar que justiça tardia não é justiça”, argumentou.

A reportagem tentou falar com o pastor Aroldo, mas ele não estava na igreja. Havia informações de que o pastor estava no Implurb e não tinha hora para voltar.

[b]Criador da igreja promete obra
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Na rua Conde de Santa Cruz, na comunidade Mundo Novo, bairro Parque das Laranjeiras, os moradores denunciam também a construção de uma igreja denominada Missão Internacional Chama Evangelística, sem que haja indicação de autorização para obra. “Nós estamos preocupados porque será uma igreja que vai produzir ruídos numa área de residências e vai causar transtornos como a falta de estacionamento”, disse a jornalista Any Margareth, cuja casa é vizinha da obra.

Tanto ela quanto outros moradores da rua demonstraram preocupação por entenderem que uma obra desse tipo deve ter licença e só pode ser autorizada após o cumprimento de determinadas exigências. Um dos vizinhos do terreno manifestou a preocupação com a poluição sonora, problema comum aos que moram próximos de templos religiosos.

[b]Justificativa[/b]

O responsável pela obra, pastor Richard Matos, 32, disse que está apenas construindo um depósito para guardar ferramentas, mas que a denominação criada por ele comprou, por R$ 50 mil, o terreno onde futuramente será construído o templo. Segundo ele, a obra só será iniciada com autorização legal, por isso não entende as denúncias. “Não estamos construindo templo aqui”, afirmou o pastor.

Segundo Richard, as denúncias vêm de pessoas que invadiram o terreno adquirido pela Chama Evangelística. “Tenho documentos de cartório indicando as medidas do terreno comprado pela igreja”, afirmou ele, mostrando também um pedido de reintegração de posse feito contra pessoas que ocupavam o terreno agora adquirido por ele. Sem manifestar preocupação com o fato de no futuro, a igreja ocupar uma área residencial, Richard disse que esse é um problema comum em toda a cidade, logo, não pode responder sozinho.

[b]Desrespeito ao órgão público
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O Implurb informou, em nota, que já foram feitas duas notificações e em 29 de maio a obra foi embargada, sendo aplicadas cinco multas por multas por descumprimento das ações fiscais e continuidade da obra irregular, sem apresentação do projeto de regularização.

O valor das multas é de R$ 20 mil. O último pedido foi de uma vistoria de engenheiro do Implurb, feita pelo próprio órgão, que ainda não está disponível no processo, para posterior ação.

Quanto à obra do Parque das Laranjeiras, do Ministério Internacional Chama Evangelística, o processo está no Implurb desde o dia 10 de setembro, sendo notificado na mesma data para comparecer ao órgão para regularização, devendo a mesma permanecer parada, sob pena de multa.

[b]Fonte: A Crítica[/b]