O corte de cinco oitis na praça da Igreja Nossa Senhora do Brasil, no São Deocleciano, em Rio Preto, se transformou num problema “diplomático” entre os poderes público e eclesiástico.

As árvores foram arrancadas da praça Danila Ariene, que circunda a igreja, durante a reforma da praça, entre dezembro e janeiro.

Na semana passada, quatro meses depois, o padre Ernesto Pedro de Oliveira Rosa recebeu da Prefeitura de Rio Preto a conta: cinco multas, no valor de R$ 50 cada, pela retirada das árvores. “Tenho de pagar R$ 250 pelas árvores que eu não tirei”, diz o padre.

Quem arrancou os oitis do lugar foi a própria prefeitura durante a reforma da praça. “Eles avaliaram que era necessário tirar as árvores, que pejudicavam o passeio. Não fui notificado de nada. Só recebi as multas”, afirma o sacerdote, que já entrou com recurso na Secretaria de Serviços Gerais para que as multas sejam suspensas. “Dei entrada no recurso dizendo exatamente que não fui eu quem arranquei, que não fui avisado que seria multado e que a reforma foi feita por eles. Foi um equívoco muito grande, não podemos ser responsabilizados”, se defende.

Segundo a Secretaria de Serviços Gerais a multa não é por causa das árvores arrancadas, e sim por não terem sido replantadas.

O secretário José Antônio Visquetto diz que a obra foi realizada pela prefeitura em parceria com a igreja e que o próprio padre pediu para que os oitis fossem arrancados. “Ele solicitou e nós autorizamos a supressão. A secretaria executou a obra, mas ele pediu que as árvores fossem tiradas”, afirma.

Ainda segundo o secretário, como ele pediu para arrancar, teria prazo de 30 dias para fazer o replantio. “As árvores foram tiradas em dezembro, por isso tinha até janeiro para recolocar e não o fez. Por isso está sendo multado”, acusa.

O padre Ernesto, porém, não lembra de ter feito o tal pedido. “Não me recordo de pedir a retirada. Mesmo que tivesse feito, não fui notificado de que teria de plantar com prazo”, rebate.

Os oitis do padre foram replantados antes da multa chegar, em abril, e já crescem na nova praça. Mas não adiantou. “Quando o fiscal passou não tinha árvore. A multa só foi emitida em abril e chegou agora para ele”, diz o secretário.

42 recebem multa neste ano

Podar árvores de forma drástica ou arrancá-las são práticas proibidas e custam caro em Rio Preto. A multa para quem corta muito é de R$ 50 e para quem arranca árvores é de R$ 100.

Só este nano, a Secretaria de Serviços Gerais aplicou 42 multas por podas drásticas. O número é considerado alto pelo secretário e fruto de desinformação.

A poda correta deve tirar, no máximo, 1/3 da copa da árvore. Mais do que isso é poda drástica. “É o necessário para ela respirar e ter suas funções preservadas”, diz Visquetto.

Para arrancar, ou seja, suprimir uma árvore, é preciso autorização da secretaria. “Fazemos vistoria e damos, ou não, autorização.”

Fonte: Jornal Bom Dia S. J. Rio Preto