Ministério de Madureira, um dos principais troncos da Assembleia de Deus, a maior denominação evangélica do país, com 12,3 milhões de fiéis, fecha com peemedebista.

Após ser cortejada por meses pela campanha de José Serra (PSDB) à Prefeitura de São Paulo, a Convenção Nacional das Assembleias de Deus – Ministério de Madureira, um dos maiores grupos evangélicos do país, decidiu declarar apoio ao candidato do PMDB e desafeto do tucano, Gabriel Chalita.

A notícia foi um revés para Serra, que trabalhou pessoalmente para atrair os dois maiores troncos da Assembleia. Em abril, o tucano fechou acordo com a Convenção Geral da Assembleia de Deus no Brasil, organização que disputa com Madureira o protagonismo na representação da igreja no país.

A Assembleia de Deus é a maior denominação evangélica do país, com 12,3 milhões de fiéis, segundo o Censo mais recente, de 2010.

O apoio do Ministério de Madureira a Chalita, formalizado ontem, foi costurado pelo vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), e o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que é evangélico e detentor de programas religiosos em rádios.

“Falamos com o Temer, e o Eduardo Cunha é meu amigo, já conta com o nosso apoio no Rio. Nessas horas, todas as boas amizades contam”, disse o pastor Samuel Ferreira, presidente da Convenção Nacional.

Cunha tentou relativizar seu papel na negociação da aliança. “Sou amigo do Samuel. Ajudei, mas, se ele achasse que o candidato era ruim para o nosso povo, não apoiaria”, afirmou.

[b]FORA DA AGENDA
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O pastor ligou para o deputado assim que saiu do comitê de Chalita, onde o acordo foi selado. O ato não constou da agenda do candidato.

À Folha Samuel Ferreira disse ter pedido a Chalita um “tratamento diferenciado” na emissão de alvarás de funcionamento para igrejas em São Paulo. Ele afirmou ainda não se incomodar com a ligação forte que o peemedebista mantém com a Renovação Carismática Católica. “O que é bom para mim é bom para a Igreja Católica”, disse.

Cunha vem trabalhando para aproximar Chalita dos evangélicos. No início de julho, ele convenceu o candidato a participar da Marcha para Jesus. “A gente opina, e o Chalita avalia. Mas não foi bom para ele estar lá, no meio do nosso povo?”, disse.

Dois meses antes, tanto Chalita como Serra comemoraram o aniversário de Samuel Ferreira.

O tucano foi informado por aliados do acordo entre Ferreira e o peemedebista minutos após a adesão -mais um ponto de atrito entre os dois.

O candidato do PSDB já havia manifestado irritação com a atuação do adversário no debate realizado pela Band na noite de anteontem.

Todas as vezes em que falou, Chalita mencionou a “parceria” que tem com o governador Geraldo Alckmin (PSDB). A aliados Serra afirmou que o rival se esforça para tentar mostrar que Alckmin promove uma “campanha B”, pró-PMDB.

[b]Fonte: Folha de São Paulo[/b]