A CPI da Pedofilia maranhense convocou o padre Giovanne Garagiola, 74, conhecido como João de Deus, para depor nesta terça-feira (4). A comissão criada pela Assembleia Legislativa recebeu informações que acusam o padre de abusar sexualmente de meninos que treinavam para ser coroinhas em Paço do Lumiar, município da grande São Luís. Em troca, o padre oferecia presentes aos meninos.

Uma suposta vítima do sacerdote, hoje com mais de 18 anos, será ouvida também amanhã pela CPI. O rapaz sofreu abusos quando tinha 13 anos.

A deputada Eliziane Gama (PPS), presidente da CPI, disse que a comissão já colheu de forma sigilosa os depoimentos de duas pessoas que afirmaram que o padre mantém as práticas de abuso ainda hoje. Segundo a deputada, as declarações foram muito consistentes.

As suspeitas contra o religioso estão sendo apuradas também pelo Ministério Público em Paço do Lumiar, segundo a CPI.

O padre não foi localizado. A parlamentar não soube dizer se o sacerdote tem advogado. A Arquidiocese de São Luís foi procurada, mas nenhum representante foi encontrado. O arcebispo, dom Belisário da Silva, está em Brasília e também não foi localizado. A assessoria da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) informou que cabe à arquidiocese se manifestar sobre seus sacerdotes.

Segundo Gama, o padre já havia sido convocado para depor na semana passada, mas não compareceu. Ele enviou um atestado médico para justificar sua ausência. Ele foi reconvocado neste domingo, mas se negou a assinar a intimação. O depoimento dele está marcada para as 15h, na Assembleia Legislativa.

A CPI da Pedofilia, instalada na Assembleia Legislativa do Maranhão em outubro do ano passado, deverá apresentar seu relatório final até o dia 13 de maio. Caso não seja possível concluir a investigação das acusações envolvendo o padre, a deputada disse que irá enviar o caso à CPI da Pedofilia do Senado.

Também serão ouvidos amanhã pela comissão dois proprietários de uma linha telefônica de São Luís que veiculava gravações que incentivavam a pedofilia e a prostituição infantil.

Fonte: Folha Online