A perseguição de cristãos evangélicos no Estado de Chiapas, sul do México, “acelera a cada dia nas regiões indígenas”, segundo disse o Foro Nacional de Advogados Cristãos.

A maioria dos problemas origina-se na insistência dos líderes de cidades pequenas, que requerem dinheiro dos evangélicos para as festas dos “católicos tradicionais” – uma mistura de religiões nativas “tradicionais” e o catolicismo. Se eles se recusam a pagar, são expulsos de suas casas e suas propriedades são tomadas, disse Alfonso Farrera, diretor do foro.

A organização, dirigida por Alfonso, disse ao governo que ela tem registrado 200 casos não resolvidos de intolerância religiosa em Chiapas, incluindo “ameaças, intimidação, roubos ou expulsão da comunidade, e mortes”.

Em 31 de janeiro, três evangélicos do município de San Juan Chamula vinham de San Cristobal de las Casas quando foram surpreendidos e baleados, precisando ser hospitalizados. As autoridades concluíram que esse era um caso de perseguição religiosa.

Também em 31 de janeiro, Reynaldo Gomez Ton, representante da denominação Alas de Aguila (Asas de Águia), se queixou dizendo que diversas famílias evangélicas em Los Pozos, município de Huixtan, tiveram sua água cortada e perderam benefícios do governo apenas por razões religiosas.

Os líderes daquela comunidade usaram ferramentas pesadas para destruir as bombas de água das famílias, deixando 40 evangélicos sem água. Mais tarde, em 21 de janeiro, as autoridades os proibiram de cortar madeira.

O jornal La Jornada relatou que outros 10 evangélicos em Los Pozos não receberam a verba do programa familiar do governo apenas por causa de sua religião. Em dezembro, os agentes do governo intervieram na cidade, para evitar que os evangélicos fossem expulsos de suas propriedades, mas isso não trouxe resultados duradouros para aqueles que abraçaram uma “nova religião”.

Em Chiepetlan, município de Tlapa de Comonfort, três famílias evangélicas estão correndo risco de serem expulsas por causa de sua fé. Um problema similar existe em San Luis Acatlán, onde os líderes da comunidade afirmam que os evangélicos não fazem a parte deles na comunidade dirigida por católicos tradicionais.

Nos dois lugares, representantes do governo do Estado se encontraram com os líderes locais, insistindo que as famílias evangélicas são protegidas pela lei e não podem ser expulsas. Os evangélicos dizem que eles cooperam com os projetos da comunidade, geralmente indo além do que lhes é pedido, mas eles não acham certo pagar pelos festivais religiosos que envolvem bebedeira e comportamento imoral.

Em outro caso, Fortunato Velasco Pérez teve que fugir com os oito membros de sua família da cidade de Campo Grande depois que ele se tornou um cristão pentecostal. A família cooperava com as obrigações da comunidade, mas se recusou a pagar pelos festivais católicos. Em outubro, as autoridades cortaram a água e a eletricidade da casa. Dois de seus filhos ficaram presos por três dias, Fortunato foi quase enforcado, a família foi ameaçada, e os líderes da cidade exigiram q eles pagassem uma multa altíssima.

Assim, Fortunato e sua família tiveram que deixar sua propriedade e pedir refúgio em uma comunidade de evangélicos chamada Betânia, no município de Teopisca. O caso dele, como de muitos outros, ainda está pendente.

O jornal La Jornada publicou em 8 de fevereiro uma declaração de Felipe Arizmendi, bispo católico romano de San Cristobal de las Casas, Chiapas, dizendo que sua igreja não tinha ligação alguma com os “chamados católicos tradicionais, que não estão ligados à nossa diocese, nem levam em consideração a Bíblia e as leis deste país, mas são governados por seus próprios acordos e tradições”.

Fonte: Portas Abertas