Segundo o Centro Pew de Pesquisa 55% dos latinos nos Estados Unidos se identificaram como católicos, 22% como protestantes e 18% dizem não ter nenhuma afiliação.

Sob todos os aspectos, os latinos são o futuro do catolicismo nos Estados Unidos. A maioria dos jovens católicos romanos nos Estados Unidos já é latina e logo isso também valerá para a população católica em geral. Mas a latinização do catolicismo americano enfrenta um grande desafio: os latinos estão abandonando o catolicismo em uma taxa notável.

Está claro há anos que o catolicismo, tanto nos Estados Unidos quanto na América Latina, está perdendo fiéis para o protestantismo evangélico, e, em particular, para as igrejas pentecostais e outras carismáticas. Mas à medida que um percentual cada vez maior da população latina americana é composto de pessoas nascidas nos Estados Unidos, uma forma concorrente simultânea de troca de religião também está ocorrendo: mais latinos americanos estão deixando o catolicismo e não se filiando a nenhuma religião.

O resultado aparentemente desconcertante: enquanto um crescente percentual dos católicos americanos é latino, um percentual cada vez menor de americanos latinos é católico.

Quase um quarto dos latinos nos Estados Unidos é ex-católico, segundo uma nova pesquisa divulgada na quarta-feira pelo Centro Pew de Pesquisa. Em comparação, cerca de 10% de todos os americanos são ex-católicos, segundo uma pesquisa Pew divulgada em 2008; a diferença é explicada em parte pelo fato de uma fração muito maior de latinos ter começado como católica.

A afiliação religiosa dos latinos é de enorme importância para aqueles interessados no futuro da religião nos Estados Unidos, porque os latinos correspondem a uma grande e crescente fração da população americana. Quase todos os imigrantes latinos chegam de países que são predominantemente católicos, de modo que as opções religiosas feitas pelos latinos são particularmente significativas para a Igreja Católica.

Nesta semana, o Boston College divulgou uma pesquisa das paróquias, mostrando que os católicos americanos latinos têm uma participação maior nas atividades sacramentais –missas, batismos, primeiras comunhões– mas menor participação em outros aspectos da vida paroquial do que outros católicos americanos. Agora vem a pesquisa Pew, que aponta que a troca de religião é comum e multidirecional, sem uma explicação fácil.

No geral, a Pew aponta que 55% dos latinos nos Estados Unidos se identificaram como católicos em 2013, em comparação a 67% em 2010. Aproximadamente 22% dos latinos se identificam como protestantes –incluindo 16% que dizem ser evangélicos ou convertidos– e 18% dizem não ter nenhuma afiliação.

“É surpreendente, em parte devido ao tamanho do declínio em um período curto”, disse Cary Funk, uma pesquisadora sênior do Pew. “Nós estamos vendo um aumento do pluralismo religioso entre os latinos, e também uma maior polarização no espectro religioso.”

A pesquisa Pew foi realizada em inglês e espanhol entre 5.103 latinos adultos nos Estados Unidos; a pesquisa por telefone foi realizada por telefones fixos e celulares na primavera e verão do ano passado, e tem uma margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Pesquisa anterior apontou que os latinos nos Estados Unidos estão abandonando a religião ao assimilarem uma cultura mais secular de modo geral. A pesquisa Pew aponta o aumento do número de latinos que dizem não ser afiliados a nenhuma religião, um número particularmente pronunciado entre os latinos com menos de 30 anos, e ocorre em um momento em que mais e mais americanos estão se tornando parte do que os pesquisadores de religião chamam de “os nenhuma”, pessoas que se dizem não afiliadas a nenhuma tradição religiosa.

Ao serem perguntados sobre porque abandonaram sua religião de infância, as duas respostas citadas com mais frequência e de simplesmente terem se afastado ou que deixaram de acreditar nos ensinamentos da igreja.

A Igreja Católica trabalha há anos para aumentar seu ministério para os latinos. Em uma postagem em um blog nesta semana, a irmã Mary Ann Walsh, a porta-voz da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, notou que a Igreja agora exige que muitos seminaristas aprendam espanhol, que houve um aumento no número de diáconos latinos, e que há bispos latinos no comando de várias grandes dioceses, incluindo as de Los Angeles, San Antonio, Sacramento e San Diego.

Mas ela reconheceu o desafio.

“Todos, incluindo os latinos, e especialmente os jovens, podem sucumbir ao que se tornou um novo problema americano, o relativismo religioso, onde, talvez inspirada por música excitante ou um pregador empolgante, você troca a Igreja de seus pais por outra ou nenhuma”, ela escreveu. Ela acrescentou: “É assustador considerar que o relativismo religioso pode ser a maior ameaça existente à comunidade católica latina cada vez mais importante”.

[b]Fonte: The New York Times via UOL[/b]