O consumo de drogas aumentou no Brasil nos últimos anos, na contramão da tendência mundial de estabilidade. O País também se consolidou como centro de distribuição da cocaína colombiana e boliviana para os principais mercados consumidores.

As conclusões estão num relatório do Escritório da Organização das Nações Unidas (ONU) contra Drogas e Crime, que será divulgado hoje.

Segundo o estudo, a proporção da população brasileira que consome cocaína cresceu de 0,4%, em 2001, para 0,7%, em 2005. Naquele ano, havia 14 milhões de consumidores no mundo, apenas 0,3% da população total. O consumo crescente no Brasil elevou os índices da América Latina. O porcentual da população dessa região que diz ter consumido cocaína ao menos uma vez na vida passou de 2,3% para 2,9%, no mesmo intervalo.

Enquanto o consumo brasileiro aumentou, a produção de cocaína na América Latina sofreu uma queda de 2% entre 2005 e 2006, embora os números por país não sejam homogêneos. O cultivo de coca na Colômbia caiu 9%, mas aumentou 8% na Bolívia e 7% no Peru.

Mas foi o consumo de maconha o que mais cresceu no País. Em 2001, 1% dos brasileiros entre 15 e 65 anos consumia a droga. O índice subiu para 2,6% em 2005. Por outro lado, a ONU indica que o número de consumidores de maconha no mundo caiu de 162 milhões, em 2004, para 159 milhões, em 2005.

Houve também aumento no consumo de anfetaminas, que chega a 0,7% dos brasileiros, e de ecstasy, consumido por 0,2% da população. Parte dos dados nacionais foi obtida do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Os Estados em que o consumo mais aumentou, segundo o relatório, são os das Regiões Sul e Sudeste. Já no Norte e Nordeste, o crescimento foi avaliado como moderado.

O pesquisador Thomas Pictschmann, autor do relatório, afirmou que o aumento do consumo de drogas no País se deve, em parte, ao fato de que o Brasil se tornou a rota preferida do tráfico internacional para os países europeus (Veja quadro acima). “Em geral, os traficantes pagam em cocaína, aumentando a oferta no mercado doméstico”, disse Pictschmann.

Segundo ele, muitas rotas que antes partiam da Colômbia direto para a Europa estão mais bem vigiadas, o que torna o País uma alternativa atraente. Há um crescente fluxo de cocaína entre a Bolívia e o Brasil. Por ano, o comércio mundial de drogas movimenta cerca de US$ 320 bilhões.

Fonte: Estadão