Pelo menos 20 cristãos foram presos por forças de segurança da Eritréia na manhã de domingo, dia 27 de maio. Entre os detentos estavam crianças pequenas. A ação, que ocorreu em Dekemhare, a 40km do sul da capital Asmara, dá continuidade a uma ostensiva tomada de posição do governo contra o cristianismo no país, desde o início do ano.

Segundo a organização não-governamental de direitos humanos Libertem a Eritréia, os agentes de segurança esperaram para flagrar os cristãos durante um culto de oração. Como não conseguiram agir sem serem notados, decidiram prender todas as pessoas que estavam na casa assim como os que estavam na vizinhança.

A incursão tinha como objetivo só os membros da igreja Kale Hiwott – uma das congregações afetadas por um decreto de 2002 que baniu todas as igrejas independentes – mas acabou atingindo outras pessoas. Dentre os presos está o pastor Michael Abraha, que sofre de hipoglicemia.

As condições de saúde das prisões na Eritréia são preocupantes, devido à carência de alimentos e cuidados médicos adequados.

“Minha preocupação não é só pela prisão por causa das reuniões de oração. Parece que essas pessoas vão passar um longo período presas e ainda por cima foram levadas juntos de seus filhos. O governo da Eritréia precisa entender que ninguém pode impedir os que desejam orar”, disse Berhane Asmelash, diretor da ONG Libertem a Eritréia.

“Realmente não há justificativa para esse tipo de perseguição”, disse Stuart Windsor, diretor nacional da Christian Solidarity Worldwide (CSW), do Reino Unido. “Prender crianças mostra como o governo da eritréia tem errado”, afirmou.

No entanto, parte da responsabilidade, segundo Stuart, “é da comunidade internacional que vem falhando no desafio contra essas violações”. “Recentemente a União Européia assinou o maior acordo de ajuda à Eritréia saudando o presidente do país como um parceiro estratégico na busca pela paz no chifre da África”, ressaltou.

Em mais um sinal do clima de deterioração dos direitos humanos no país, a organização Repórteres Sem Fronteiras informou que não há qualquer notícia sobre dois trabalhadores do Ministério da Informação presos em suas casas no dia 12 de março. O paradeiro deles permanece desconhecido.

A organização afirma estar profundamente preocupada com o destino do jornalista Eyob Kessete, da rádio de língua ahmárica Dimtsi Hafash. Ele foi preso enquanto tentava fugir pela fronteira com a Etiópia.

Fonte: Portas Abertas