Lúcia Helena de Castro Miranda e o marido, Vanderlei, tentam minimizar a dor da perda da única filha, assassinada aos 24 anos, encontrada morta na sacristia da igreja Sagrados Corações, na Ponta D’Areia, em Niterói, no Rio.

É para o quarto da filha Viviane que Lúcia Helena de Castro Miranda vai quando aperta a saudade. Ali, lugar que ela faz questão de manter exatamente como a psicóloga deixou, Lúcia chora muito e, agarrada à boneca que Viviane mais gostava, ela e o marido, Vanderlei, tentam minimizar a dor da perda da única filha, assassinada aos 24 anos, encontrada morta na sacristia da igreja Sagrados Corações, na Ponta D’Areia, em Niterói, no Rio.

O crime completa um ano nesta sexta-feira e, até agora, o único suspeito permanece solto e as investigações estão paralisadas, aumentando o sofrimento da família.

Poucos dias antes do crime, Viviane e o ex-noivo, o estudante universitário Felipe Motta Pereira Natal, 24 anos, terminaram o relacionamento, que durou quatro anos. Segundo os pais, Viviane decidiu acabar o relacionamento porque ele era muito violento e ciumento.

Para a polícia, Felipe é o assassino da psicóloga e a teria matado porque não se conformava em ficar sem ela. Ele chegou a ficar preso 59 dias, mas foi solto depois de conseguir um habeas corpus.

Último encontro

Nas investigações, Felipe aparece como a última pessoa com que a vítima se encontrou horas antes do crime. Há registro de furto de uma arma do pai de Felipe e contradições em depoimentos. Um deles é do pároco Luiz Gonzaga. Embora conhecesse Felipe, disse não poder afirmar se o rapaz que esteve na igreja era ele, apesar de a pessoa apresentar as mesmas características do suspeito. O padre também alegou não ter escutado o tiro. Ele prestou novo depoimento, que não ajudou nas investigações.

Para o Ministério Público (MP), as provas apresentadas pela 76ª DP (Centro) não foram suficientes para denunciar o rapaz. O inquérito foi devolvido semana passada à polícia. O despacho do promotor pede apenas que seja devolvido o laptop de Viviane, sem mencionar novas diligências. O laudo do equipamento, pelo qual ela trocava e-mails com Felipe, ainda não foi entregue, assim como o do circuito interno do prédio onde Felipe mora. O advogado do acusado, Raphael Mattos, questiona a polícia afirmando que ela seguiu apenas a linha de investigação que levaria a Felipe.

Depoimento: “um tiro matou nossa família”

“Só agora consigo falar sobre a morte da minha filha. Já perdi 30 quilos e estou vivendo graças aos muitos remédios, à terapia, mas sobretudo a Deus. O apoio do meu marido também tem sido fundamental. Ele também sofre muito porque tem de segurar a dor que sente para cuidar de mim. Choro todos os dias. Vivíamos para ela. Com um tiro, o assassino da minha filha matou nossa família inteira, porque ninguém se conforma. Enquanto o culpado comemora um ano de liberdade, nós ‘comemoramos’ um ano de morte da Ane, como eu a chamava. Mas não vamos desistir”, desabafou a mãe de Viviane, Lúcia Helena de Castro Miranda.

Fonte: O Dia