O secretário de Saúde, João Paulo Esteves, ficou irritado ontem diante da postura do Hospital Evangélico que, segundo ele, teria exigido o pagamento de três tabelas, duas dos Sistema Único de Saúde e uma da Caixa de Assistência aos Servidores de Mato Grosso do Sul (Cassems) para atender a Ortopedia de alta complexidade e as Neurocirurgias.

Esteves garante não ter condições de renegociar e promete levar o caso ao Ministério Público Estadual (MPE).

“É um absurdo exigir um aumento de valores principalmente em um momento de transição como este. Fomos incansáveis nas negociações. Não temos como oferecer mais ao HE, mesmo porque o município vai bancando sozinho o pagamento de uma das tabelas do SUS exigidas pelo HE. Se houver insistência, vamos recorrer ao Ministério Público para garantir o atendimento à população”, afirma o secretário.

A polêmica sobre novos reajustes começou depois que a Secretaria de Saúde tentou negociar para que os casos de trauma neurológico, que necessitam de intervenção cirúrgica, sigam direto para o HE sem passar pela triagem do Hospital de Trauma.

O diretor do Hospital Evangélico, Paulo Nogueira, disse por telefone que não tem conhecimento do caso. Ele preferiu não comentar sobre o assunto e disse apenas que “o acordo com a Prefeitura já está formalizado”.

Para o presidente do Conselho Municipal de Saúde, Wilson Medeiros, a triagem é importante, mas, assim mesmo, é necessário um acordo para agilizar o encaminhamento direto ao HE dos casos de trauma encefálico. “A triagem funciona com eficácia em várias cidades brasileiras, no entanto o encaminhamento direto pode dar mais agilidade ao atendimento grave. Já estamos negociando isso”, disse ele.

Mas, para a Prefeitura o acordo já estava feito. Por mais quatro meses o atendimento em Ortopedia e Neurologia seria realizado no HE. “Buscávamos agilizar o atendimento de casos graves. Em alguns finais de semanas acontecem muito acidentes e quase todos sérios. Queríamos que esses pacientes graves pudessem ser levados diretamente ao Evangélico sem a triagem, apenas até que o Hospital de Trauma fique 100% pronto”, explica Esteves.

Para isso a Secretaria de Saúde contaria com o Corpo de Bombeiros. Como os socorristas são os primeiros a ter contato com as vítimas, eles identificariam os casos graves e encaminhariam direto ao HE sem a triagem. Mas, por enquanto, todos os feridos graves passam primeiro pelo Hospital de Trauma.

Fonte: Jornal O Progresso