No setor cristão da cidade síria de Qamishli, o clima natalino está mais para tristeza e apreensão: ruas desertas, câmeras de vigilância ao redor das igrejas e segurança máxima. Moradores cristãos de Wusta, o principal bairro da cidade de maioria curda, vivem sob a sombra de ataques de extremistas islâmicos. No último Ano Novo, três atentados reivindicados pelo Estado Islâmico deixaram 16 mortos e 30 feridos, atingindo em cheio a área cristã da cidade.

[img align=left width=300]http://www.correiodobrasil.com.br/wp-content/uploads/2016/11/siria-2.jpg[/img]Desde então, Wusta é defendida pela milícia cristã siríaca Sotoro, aliada do governo. Em Qamishli, os siríacos são a maior comunidade cristã, à frente dos assírios e da comunidade armênia. Comerciantes se queixam do fraco movimento desde os ataques, dois dos quais ocorreram em Wusta.

— Os atentados que aconteceram na véspera de Ano Novo tiveram um efeito negativo sobre o nosso ganha-pão. As pessoas agora têm medo de sair — diz Nidal Zahawi, dono do restaurante Domino, que foi atingido em maio passado por um ataque de um homem-bomba.

Nas ruas principais, as guirlandas e árvores de Natal deram vez às câmeras de segurança. Só há uma entrada para o bairro, fortemente policiado. A sede da milícia é protegida por sacos de areia. Uma autoridade militar afirma que festas e encontros foram proibidos, por decisão da Igreja.

— Nosso dever é proteger as igrejas e os bairros cristãos com a colaboração das forças da região, incluindo as do regime e as dos curdos. Vamos aumentar as patrulhas para evitar ataques terroristas — acrescenta.

Na Igreja da Virgem Santa, onde uma única árvore serve de decoração de Natal, o clérigo Abdel Messih Youssef recorda o ataque do ano passado e afirma que as celebrações de Natal serão limitadas ao ritual religioso.

— Não haverá festas — afirma.

Melinda Glo, de 23 anos, recorda a atmosfera festiva dos anos anteriores.

— Mas hoje a maioria de nossos amigos se foram — diz ela, prestes a seguir os pais, que já migraram para a Austrália.

[b]Fonte: O Globo[/b]