A detenção de Adel Fawzy e Peter Ezzat , trabalhadores cristãos mantidos sob custódia para investigação desde o dia 8 de agosto, foi renovada. A polícia egípcia os deteve depois que a organização de direitos humanos na qual trabalham foi envolvida em várias controvérsias, incluindo o caso de Mohammed Hegazy.

Numa iniciativa sem precedentes, Mohammed Hegazy pediu que sua conversão do islamismo ao cristianismo fosse legalmente reconhecida. Líderes religiosos egípcios pediram a morte dele.

Dias antes de ser detido, Adel Fawzy, 61 anos, publicou na internet uma entrevista com Mohammed Hegazy, chamando a atenção da mídia egípcia para a conversão dele.

No último dia 21 de agosto, o promotor estatal Muhammad al-Faisal, do comitê de investigação de segurança do Estado do Cairo, renovou a detenção de Adel e Peter. Ele se recusou a dar explicações sobre a decisão.

“Não está certo manter Peter sob custódia”, disse Peter Ramses al-Nagar, advogado da Associação Cristã para o Oriente Médio (MECA, sigla em inglês). Ele disse que Peter Ezzat, que é voluntário da MECA, deveria ser solto porque a polícia já terminou de investigá-lo.

Censura

Adel e Peter foram inicialmente presos sob a suspeita de insultarem o islã, sob a alegação de que a reputação do Egito e dos muçulmanos foi degradada com a publicação da história de Mohammed Hegazy, segundo o presidente da MECA, Nader Fawzy.

Mas, durante a investigação, o promotor estatal Al-Faisal também considerou a acusação de que os cristãos causaram agitação pública e possuem uma arma de fogo cuja licença expirou, de acordo com os advogados de defesa.

“O promotor está debaixo de pressão dos altos funcionários para mantê-los presos”, comentou o advogado.

“A mídia tem dito que eles prenderam Adel e Peter porque eles são a razão principal para Mohammed Hegazy ter se tornado cristão”, disse o advogado Al-Nagar.

Durante uma entrevista por telefone a um programa de entrevistas egípcio, Adel Fawzy disse que estudantes islâmicos acusaram a MECA de converter Mohammed Hegazy ao cristianismo.

“A primeira pergunta que eles fizeram era se nós convertemos Mohammed”, contou ele ao Compass. “Eu disse: Nós não convertemos ninguém, nós somos uma organização de direitos humanos. Mas mesmo que nós tivéssemos feito, não há nenhuma lei contra isso.”

Trabalho humanitário

MECA, uma organização não-governamental canadense que solicitou reconhecimento legal junto ao governo egípcio em junho, está envolvida em vários casos de direitos humanos.

No dia 7 de agosto, um dia antes de Adel e Peter serem detidos, membros da MECA ajudaram a registrar uma reclamação policial em nome de uma família muçulmana cujo pai caiu da sacada e morreu durante uma invasão policial. A família do homem acusa a polícia de tê-lo assassinado.

Em julho, um advogado da MECA entrou com uma ação exigindo uma indenização para famílias cristãs da aldeia al-Kosheh, por terem sido atacados em uma incursão de três dias ocorrida em janeiro de 2000.

Pelo menos 21 coptas foram mortos, 18 ficaram feridos e centenas de casas foram destruídas enquanto a polícia esperava fora da aldeia.

Um tribunal do Norte do Cairo adiou o julgamento do caso al-Kosheh para 6 de setembro.

Mohammed Hegazy

Mohammed Hegazy está escondido depois que o caso dele chamou atenção. Ele e seus advogados estão sob ameaça de morte (leia mais sobre o caso dele).

Ele contou ao Compass que já conseguiu um novo advogado, mas se recusou a revelar o nome por razões de segurança.

“É raro muçulmanos se converterem abertamente a outra religião no Egito. Embora deixar o islã não seja ilegal, isso pode incitar perseguição e tortura aos familiares”, disse Al-Nagar.

Fonte: Portas Abertas