A comunidade cristã etíope no Iêmen pediu para o governo central lhe designar um pedaço de terra que possa ser usado como cemitério para as comunidades cristãs de Sana’a, capital do país.

“Não temos permissão para enterrar nossos mortos nos cemitérios dos muçulmanos, então pedimos para o governo do Iêmen nos dar um terreno que possa ser usado como cemitério cristão”, disse Eshetu Legesse, um cristão etíope que vive em Sana’a.

Uma fonte da embaixada etíope confirmou o pedido ao governo central. A fonte também disse que o governo prometeu procurar um lugar adequado. “Pedimos isso porque quando um cristão morre, ele é enviado à cidade de Aden para ser enterrado. Se for um judeu, o corpo é mandado para sua terra natal”, ele comentou.

O Departamento de Propriedade e Planejamento Urbano concordou com o pedido dos cristãos etíopes. Ali Hameed Sharaf, chefe do Departamento, disse: “Não há problema. Iremos procurar um lugar. Temos planos de utilizar um terreno em Sana’a como o do cemitério em Aden. Como muçulmanos e líderes do Iêmen, respeitamos e aceitamos outras religiões. Eles são seres humanos e têm o direito de enterrar seus mortos assim como os muçulmanos”.

As fatwas (parecer religioso) emitidas pelos xeiques muçulmanos dizem que os cristãos e pessoas de outras religiões além do islamismo não têm o direito de enterrar seus mortos em cemitérios muçulmanos. “Eles não podem enterrá-los em cemitérios muçulmanos a fim de que seja mantida a santidade muçulmana”, disse Shaker Hiba, diretor da escola al-Ishraq e pregador da mesquita al-Tawheed. “O governo do Iêmen deve designar-lhes um lugar para servir de cemitério. Existe até um cemitério chinês em Sana’a, então por que não fazer um para os cristãos?”

Fonte: Portas Abertas