O paradeiro de diversos cristãos karen permanece desconhecido, depois que forças do governo executaram um membro de uma organização de ajuda humanitária no Estado de Karenni.

A organização cristã de direitos humanos Christian Solidarity Worldwide (CSW), que tem contatos na região, disse ao BosNewsLife que Saw Lee Reh Kyaw, da equipe de socorro dos “Guardiões pela Liberdade de Mianmar”, foi executado pelo exército birmanês no mês passado.

Lee Reh foi morto no dia 10 de abril, depois de ter sido raptado “dois dias antes, quando levava ajuda humanitária aos moradores do Estado de Karenni”, segundo um comunicado da CSW. Aparentemente, ele foi levado por tropas birmanesas que o atacaram na vila de Ha Lee Ku. Na ação, um soldado do grupo pró-democrata do Partido Nacional Progressista de Karenni (KNPP, sigla em inglês) foi morto.

Um líder e um secretário da vila também foram capturados, mas o paradeiro deles ainda permanece desconhecido, informou a CSW. “A trágica e brutal morte de Saw Lee Reh Kyaw, que estava trabalhando na assistência ao povo karen, revela a brutalidade do regime de Mianmar”, disse o diretor nacional da CSW, Stuart Windsor.

Posicionamento

O caso ocorreu em meio à crescente tomada de posição contra os moradores de Karenni e grupos étnicos karen, onde há uma grande população cristã.

Na região, foram alocados três batalhões do exército, que incendiaram quatro vilas no dia 22 de abril, matando pelo menos uma pessoa que tentou escapar. “Mais de mil pessoas saíram de suas vilas e agora estão escondidas”, explicou a CSW.

A violência mais recente ocorreu um mês depois, em pequenos ataques contra moradores de vilas karen, no norte. Cinco pessoas morreram e uma enfermeira foi baleada e ficou seriamente ferida. “A total indiferença por parte do exército de Mianmar pelas vidas e a necessidade do povo é terrível”, disse Stuart.

“A comunidade internacional, particularmente os governos nos arredores de Mianmar, deveriam enviar um sinal claro à junta militar de que essas violações dos direitos humanos não podem ser toleradas”, disse ele.

No ano passado, o exército de Mianmar iniciou aquilo que observadores de direitos humanos descreveram como “a pior ofensiva” contra civis no Estado de Karen em quase uma década.

Sem lugar para morar

Mais de 27 mil civis foram desalojados do Estado no ano passado e, neste ano, outros milhares passaram pela mesma situação, segundo a CSW. Outras estimativas calculam que em 2006 mais de 86 mil moradores do lado oriental do país foram obrigados a deixar suas casas.

Desde 1996, mais de 3 mil vilas foram destruídas pelo exército birmanês e mais de um milhão de pessoas ficaram sem lugar para morar.

Além dos ataques contra as comunidades predominantemente cristãs, tropas do exército também atacaram grupos dos Estados de Shan, Mon, Chin, Kachin, Arakan e Rohingya, segundo defensores de direitos cristãos.

Os ataques promovidos pelas tropas do atual regime militar, conhecidas como tropas de paz, estão relacionados ao temor dos generais em perder suas bases. Oficiais birmaneses negam a prática de delitos e dizem que estão tentando estabilizar o país.

Apesar disso, líderes birmaneses estão longe de libertar o líder pró-democrático e vencedor do Prêmio Nobel da Paz, Daw Aung San Suu Kyi, que é um cristão karen e está em prisão domiciliar, assim como libertar outras minorias que gostariam de ver Aung San no comando do país.

Fonte: Portas Abertas