Três horas antes do horário marcado, as três professoras cristãs indonésias – Rebekka Zakaria, Eti Pangesti e Ratna Bangun – foram libertadas, para evitar a mobilização e um possível ataque de muçulmanos em frente à prisão de Indramaiyu, em Java Ocidental.

As irmãs foram soltas às seis horas da manhã do último dia 8 de junho, após dois anos e meio detidas.

Muçulmanos radicais planejavam reunir uma grande multidão e esperar a liberação delas do lado de fora. A idéia era segui-las até suas respectivas casas. Eles queriam assegurar que elas não voltariam mais para Indramaiyu e que não dariam continuidade ao ministério cristão por ali.

Antes da libertação, as mulheres foram imediatamente levadas para uma cidade vizinha, Cirebon, por questões administrativas, para a obtenção dos documentos necessários à expedição de soltura. As três irmãs foram levadas em um ônibus providenciado pela Portas Abertas e foram escoltadas por sete carros, onde estavam o advogados, familiares e parentes próximos, membros do serviço de segurança, policiais, um político cristão e diversos jornalistas da mídia local.

“As mulheres estão em liberdade condicional até fevereiro de 2009”, informou o advogado Aris Wibowo. “Elas precisam ter muita precaução para não serem acusadas pelo mesmo motivo”, disse ele. As três indonésias terão que se reportar mensalmente à administração penitenciária de Cirebon.

Rebekka, a médica, teve licença revogada

Rebekka já recebeu algumas visitas de parentes e amigos. Ela é médica, mas sua licença foi revogada pela Instituição de Médicos Indonésios ( IDI, sigla em inglês) durante a prisão e por isso não poderá trabalhar como médica por um longo tempo em Indramayu.

Há a possibilidade de que ela abra uma consultório fora da cidade, mas isso depende de uma autorização da IDI. “Se isso não acontecer, não será problema. Vou seguir o sonho que amadureci de me tornar uma médica missionária”, disse ela a um membro da Portas Abertas.

Ratna perdeu o pai enquanto estava presa

Em breve, Ratna logo voará para Pekanbaru, na ilha de Sumatra, para pegar os filhos, e então irá para sua cidade natal, Medan, em memória a seu pai. “Meu pai morreu há dois meses. Foi uma grande perda porque éramos muito ligados. Se ele ainda estivesse vivo, ele me diria depois da minha libertação: “Estou muito orgulhoso de você, minha filha, porque você foi presa por causa de Jesus”. “Foi uma terrível perda e eu submeto esse sofrimento a Jesus”, disse ela. A partir de agora Ratna será a chefe da família, em Jacarta.

Eti se surpreende com recepção

Eti, mãe de três filhos, ainda não fez planos. Uma recepção especial foi preparada para recebê-la em casa. “Devem ter vindo mais de 20 pessoas! Alguns deixaram o trabalho só para me dar boas vindas”, disse ela, surpresa. Eti diz que apesar da libertação os desafios não acabaram. “Ainda precisamos das suas orações. Primeiro ore pela comunidade cristã. Ainda procuramos um lugar para realizar os cultos. Pode ser em Haurgeulis, como era antes, e estou certa de que Deus vai permitir que isso aconteça”.

“Os radicais muçulmanos estão nos escandalizando e temos que ter muito cuidado”, completou Rebekka. “Orem por nós e nossas famílias, peça para permanecermos firmes e fortes no Senhor, aconteça o que acontecer”, disse a médica.

Fonte: Portas Abertas