Em sabatina a editores e repórteres do jornal “O Globo”, o candidato a prefeito do Rio e bispo da Igreja Universal, Marcelo Crivella, disse nesta segunda-feira que respeita e manterá a política de aborto – autorizado em caso de estupro ou de risco de vida para mãe e que continuaria apoiando eventos como a Parada Gay.

– A lei prevê aborto em caso de estupro e risco de vida para a mãe. Não se discute lei. É para ser cumprida. Todo brasileiro se submete a ela – disse ele, lembrando que, nem como senador, nunca pensou em propor uma mudança na legislação federal.

O candidato disse, no entanto, que se fosse mulher, não faria o procedimento:

– Se eu fosse mulher e tivesse que tomar essa decisão, eu não faria. Eu acho que o aborto é do ponto de vista da criança o fim sem começo. E, do ponto de vista da mulher, o começo de uma dor sem fim.

Crivella esclareceu que, apesar de suas convicções religiosas, não fará nenhum tipo de patrulhamento e disse que respeitará as preferências culturais e sexuais.

– Podem esperar onda de políticas públicas, não farei patrulhamento. Vou respeitar as preferências culturais e sexuais – afirmou.

Indagado se a prefeitura continuaria apoiando eventos como a Parada Gay, em sua gestão, Crivella respondeu que sim.

– Tudo que a prefeitura vem fazendo e tem aplauso da população, eu não vou mexer.

Mas, ao ser questionado se participaria do evento, Crivella recusou:

– Não. Vou a jogo no Maracanã. Cada um tem a sua preferência. Um gosta de samba, outro de funk – comparou.

O candidato também reforçou que não nomeará nenhum membro da igreja para seu secretariado, caso seja eleito.

– Eu prometi que não vou nomear nenhum membro da minha igreja no meu secretariado. Pedi a eles que compreendessem – afirmou.

Crivella disse ainda que não pretende implantar ensino religioso nas escolas públicas.

– Ensino para os meus filhos. Quando era pastor, ensinava na igreja. Escola tem que seguir preceito pedagógico preparado pelos nossos técnicos. Em casa, os pais podem ensinar a seus filhos. Acho que nós precisamos de fé – encerrou.

Fonte: O Globo