Ao menos 30 pessoas pediram para ser crucificadas hoje em vários povoados do norte das Filipinas, enquanto dúzias de flagelados percorrem as ruas com as cabeças cobertas e as roupas ensangüentadas por ocasião das celebrações da Sexta-Feira Santa.

Em San Pedro Cutud, onde as crucificações se transformaram em um acontecimento anual que atrai milhares de turistas, 20 pessoas estavam dispostas a percorrer os dois quilômetros com a cruz nas costas para depois serem pregadas nela.

Um dos mais conhecidos é o carpinteiro Ruben Enage, 47, que hoje será crucificado pela 22ª vez desde 1985.

Enage tinha prometido cumprir a penitência 20 vezes quando se salvou milagrosamente, segundo ele, de uma queda de um andaime, mas cada vez que tentou deixá-lo após cumprir a promessa alguém de sua família caía doente.

“Continuarei fazendo até que meu corpo possa resistir a dor dos pregos de 15 centímetros nas palmas das minhas mãos e pés”, afirmou Enage nesta Semana Santa.

Embora as crucificações mais conhecidas sejam as de San Pedro Cutud, as mesmas paixão e penitência também são vividas em outras cidades do país, como em San Fernando ou em Santa Lúcia.

A hierarquia eclesiástica das Filipinas tinha pedido aos católicos que se abstenham este ano das freqüentes crucificações e flagelações de penitentes para não transformar em um circo a Semana Santa.

Filipinas adverte sobre riscos à saúde com crucificação

O ministério da Saúde das Filipinas recomendou que os penitentes católicos que participam dos rituais de flagelo e crucificação da Semana Santa se vacinem contra o tétano.

Durante a Sexta-feira Santa, dezenas de devotos católicos encenam a crucificação de Jesus Cristo, um evento que virou atração turística em várias partes do país.

De acordo com o correspondente da BBC em Manila Frances Harrison, o governo recomenda que os fiéis chequem o estado de seus chicotes antes de se auto flagelar.

Segundo as autoridades, o uso de chicotes em más condições de higiene aliado à atmosfera quente e empoeirada pode causar tétano e outras infecções.

Ainda segundo o governo, os pregos utilizados para prender os penitentes na cruz devem ser desinfetados. Geralmente os fiéis deixam os pregos de molho no álcool durante o ano.

Perdão

Os penitentes entoam o ritual da crucificação como uma forma de pedir perdão pelos pecados ou agradecer pelas graças recebidas.

Segundo o jornal filipino Manila Times, na cidade de San Fernando, no norte do país, foram improvisados três calvários, onde 23 pessoas, entre elas duas mulheres, devem ser crucificadas.

Ainda de acordo com o correspondente da BBC, algumas pessoas repetem a penitência todos os anos. Segundo ele, um vendedor de peixes será crucificado pela 15ª vez para agradecer pela recuperação da mãe, que contraiu tuberculose.

Com cabelos longos e barba, calçando sandálias e com uma coroa de espinhos, o homem será amarrado à cruz com um tecido e em seguida será pregado. Os pregos são enfiados nas cartilagens, evitando os ossos, diz o correspondente.

Fonte: BBC Brasil