Bispo Adriel de Souza MaiaLíderes religiosos lamentaram a decisão do 18° Concílio Geral da Igreja Metodista de se retirar de organismos ecumênicos que tenham a presença da Igreja Católica e de grupos não-cristãos. O momento é de “profunda indignação e tristeza”, disse o bispo Adriel de Souza Maia (foto), presidente do CONIC.

A medida tira os metodistas do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) e da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE).

O momento é de “profunda indignação e tristeza”, disse para a ALC o presidente do CONIC, bispo Adriel de Souza Maia (foto), que foi reeleito para o Colégio Episcopal da Igreja Metodista no 18° Concílio, reunido de 10 a 16 de julho na cidade capixaba de Aracruz. “Vivemos um momento de grande retrocesso”, agregou.

Na medida em que a Igreja Metodista decide se retirar de organismos ecumênicos, também o bispo está excluído dessa comunhão. A leitura é do bispo Adriel de Souza Maia, que não saberia dizer, hoje, se ainda é presidente do CONIC.

“Tem que ser feita uma profunda avaliação do caso sob o ponto de vista jurídico”, admitiu. Também estaria nessa condição o secretário executivo do organismo, pastor Western Clay Peixoto.

Embora tenha destacado que a CESE não recebeu qualquer comunicado oficial da Igreja Metodista anunciando a decisão conciliar, a secretária executiva do organismo de serviço, pesquisadora Eliana Rollemberg, afirmou que a medida é preocupante e “entra na contramão da história do ecumenismo”.

Rollemberg disse que a decisão da Igreja Metodista do Brasil é um passo atrás e tem conseqüências para o ecumenismo mundial. Ela reportou-se à IX Assembléia do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), reunida em fevereiro deste ano em Porto Alegre, e que contou com a participação da Igreja Católica inclusive no comitê organizador local e nacional do evento. O CMI vem dando passos importantes no diálogo com os católicos, frisou.

Em carta dirigida, ontem, à Igreja Metodista, o pastor presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) e moderador do CMI, Walter Altmann, disse que, embora a decisão conciliar deva ser respeitada integralmente, tomada de acordo com a convicção majoritária dos conciliares, a notícia “entristeceu profundamente o nosso coração”.

Altmann expressou o agradecimento da IECLB à “rica contribuição da Igreja Metodista para a prática eclesial e ecumênica em nosso país”. Frisou que uma das características primordiais dos metodistas mundo afora tem sido a conjugação de evangelização e compromisso social.

Num contexto de difíceis e lentos avanços, a decisão do Concílio de Aracruz representa um “forte baque no movimento ecumênico no Brasil, que assim enfrenta um desafio adicional em sua caminhada muitas vezes espinhosa, mas sempre necessária”, arrolou o pastor presidente da IECLB.

Falando em nome pessoal, o assessor do setor de Ecumenismo e Diálogo Religioso da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), padre José Bizon, declarou que a medida representa um retrocesso para uma igreja, como a metodista, que tem uma caminhada ecumênica. “A gente fica perplexo e dói o coração de ouvir uma decisão dessas, quando o mundo se abre ao diálogo”, assinalou.

A decisão do Concílio de Aracruz é lamentável, pois vai contra os princípios doutrinários e pastorais da Igreja Metodista, argumentou o secretário executivo do CONIC, Clay Peixoto. “Foi uma decisão política”, acrescentou, referindo-se ao crescimento do movimento carismático de corte sectário e fundamentalista na Igreja Metodista brasileira.

O bispo Adriel de Souza Maia lembrou a carta pastoral que o Colégio Episcopal remeteu ao 18. Concílio, na qual destacou a caminhada ecumênica da Igreja Metodista desde John Wesley, seu fundador, até os dias de hoje, reafirmando a importância do envolvimento dos metodistas em organismos que lutam em favor da vida.

Mas o apelo dos bispos não encontrou eco no Concílio, que aprovou, em debate iniciado na noite de sexta-feira, 14, avançando madrugada adentro, a retirada da Igreja Metodista de organismos ecumênicos por 79 votos a favor, 50 contra e quatro abstenções. “No afã de olhar para a Igreja Católica não avaliaram o prejuízo que o movimento neopentecostal provoca em nossas igrejas”, lastimou Souza Maia.

A realidade exige cada vez mais uma ação unitária das igrejas, frisou Eliana Rollemberg. “Talvez a realidade acabe nos educando a respeito da atuação conjunta”, disse.

Para Souza Maia, o momento é de parar, reavaliar tudo e redesenhar o momento sem perder a visão do futuro. “Deus e Jesus Cristo vão além dos dogmas. A instituição não pode embaçar o movimento do Espírito na Igreja”, afiançou.

Fonte: ALC