Líderes da igreja no Vietnã expressaram surpresa com a declaração constante de um relatório feito pelo Embaixador Geral de Liberdade Religiosa Internacional John Hanford, na sexta-feira, 15 de setembro.

Ele afirma que o “Vietnã atravessou o ponto crítico e fez um enorme progresso no que diz respeito à liberdade religiosa”.

A maioria dos observadores concluiu que esta declaração foi um sinal claro de que o embaixador pretende recomendar que o Vietnã seja removido da relação dos Países de Preocupação Específica do Departamento de Estado dos EUA. A relação é uma “lista negra” dos piores violadores da liberdade religiosa neste ano. Na sexta-feira, o Escritório de Liberdade Religiosa Internacional (OIRF, sigla em inglês) do Departamento do Estado americano divulgou seu relatório anual sobre a liberdade religiosa em 197 países, declarando que “ocorreram progressos significativos na questão da liberdade religiosa no Vietnã”.

Um dia depois da divulgação das declarações de Hanford na internet, dois líderes eclesiásticos do Vietnã ligaram para a agência de notícias Compass expressando surpresa de que o embaixador tivesse declarado um “enorme progresso” na liberdade religiosa.

Quando estes e outros líderes de igreja conversaram com Hanford durante sua recente visita ao Vietnã, eles disseram ao embaixador que, em algumas regiões, eles estavam enfrentando menos problemas e menos perseguição do que antes e que tinham uma esperança cautelosa de melhora da situação. Para eles, isso era visto como um progresso bastante modesto na melhor das hipóteses.

Eles temem que as declarações do embaixador encorajem o Vietnã a afrouxar nos seus esforços de mudança.

Questões invasivas

Aproximadamente 50 organizações de igrejas domésticas concordaram que deveriam tentar registrar suas atividades como exige a nova legislação sobre religião, promulgada nos últimos dois anos. Mas os responsáveis por essas organizações mencionaram a natureza altamente invasiva de algumas das questões que devem ser respondidas, dizendo que são desnecessárias e incompatíveis à liberdade religiosa.

O procedimento também requer a assinatura de um compromisso de não só obedecer à lei, mas também aos decretos dos oficiais locais, sem que haja quaisquer especificações do que estes decretos possam ser. Em muitas partes do país, tais oficiais locais caprichosa e freqüentemente perseguem os cristãos, apesar das leis contrárias a isso.

Conseqüentemente, o processo de registro para estes cristãos continua sendo protelado. Sem receber o registro para a realização de atividades religiosas, essas igrejas domésticas, que representam mais de 200 mil cristãos, permanecem ilegais.

Um líder de igreja doméstica também informou ter obtido um novo documento governamental interno indicando um forte esforço do governo em juntar informações sobre todos os grupos cristãos – e para decidir em que bases cada grupos deve ser registrado. Segundo a nova diretiva, disse ele, os cristãos que não considerem ter uma “genuína necessidade de religião” devem ser “mobilizados a retornar a suas crenças e práticas tradicionais”.

Líderes cristãos no Vietnã indicaram que isso não se parece com um “enorme progresso”.

Das 15 páginas do relatório do OIRF sobre o Vietnã, ao menos seis dedicavam-se à situação protestante, incluindo numerosos incidentes e problemas. Por exemplo, o relatório declara que mais de 500 igrejas minoritárias étnicas da Igreja Evangélica do Norte do Vietnã nas Montanhas do Noroeste solicitaram o registro no ano passado e que a “maioria das solicitações foi completamente rejeitada, ignorada ou retornou sem ser aberta”.

O relatório do ORIF também admite que o Vietnã tem sido lento e parcial na implementação das novas leis.

Sinais de progresso

Ao mesmo tempo, os cristãos no Vietnã estão gratos por algum progresso. Os registros de dezenas de igrejas da minoria étnica montagnard, relatados à Igreja Evangélica do Sul do Vietnã no Planalto Central no ano passado, é um dos casos.

Na sexta-feira, 15 de setembro, a Igreja da Missão Cristã com base em Danang (Co Doc Truyen Giao Hoi) recebeu permissão para comemorar seu 50º aniversário, e nesta ocasião recebeu permissão para realizar atividade religiosa depois de três anos de tentativa. Este nível de permissão é visto como um prelúdio para receber o reconhecimento legal nacional e oficial em algum momento em 2007.

Um membro da igreja informou a ex-missionários nos Estados Unidos que houve uma maravilhosa comemoração. Ele disse que aproximadamente 30 funcionários do governo que participaram estavam muito surpresos em saber das felicitações lidas mundialmente. Esta organização, incluindo tanto as congregações vietnamitas étnicas como a minoria montagnard, seria somente o terceiro grupo protestante no país a receber o reconhecimento legal.

Um conhecido líder cristão da etnia hmong, Ma Van Bay, foi libertado por ocasião da anistia dada aos presos no Dia Nacional de 2 de Setembro. Ele cumpriu aproximadamente dois anos e seis meses de pena por “roubar dinheiro de pessoas”. Como tesoureiro de uma igreja e responsável por manter e usar as modestas ofertas voluntárias dos cristãos hmong, Bay negou as acusações.

Mantido preso e libertado em sua província natal de Ha Giang, ele visitou sua mãe na antes de retornar ao convívio de sua esposa e filhos na província do sul de Binh Phuoc, de onde ele tinha anteriormente fugido devido à perseguição. Bay contou a um contato do Compass que gostaria de expressar sua gratidão a todos que oraram por ele e lutaram por sua libertação.

Fonte: Portas Abertas