Padre Cheregato depôs ontem sobre denúncia de estelionato e admitiu que sobrinhos não eram seus dependentes econômicos. O ex-capelão da Base Aérea de Fortaleza havia pedido R$ 2,6 mil à Aeronáutica para a compra de passagens para os sobrinhos, que na realidade moravam com os pais, no interior de São Paulo. A defesa do capitão alegou que o dinheiro já foi restituído.

O capitão da Aeronáutica, padre José Severino Cheregato, ex-capelão da Base Aérea de Fortaleza, admitiu na tarde de ontem, em depoimento na auditoria da 10ª Circunscrição Judiciária Militar, no bairro de Fátima, que nunca morou com os seus dois sobrinhos, que residem no município de Potirendaba, no interior de São Paulo, como ainda não seriam seus dependentes.

A declaração do oficial é referente à denúncia de crime de estelionato, do Ministério Público Militar (MPM), quando José Cheregato teria pedido à Aeronáutica a importância de R$ 2,6 mil, no ano de 2005, para a compra de passagens aéreas para que os dois sobrinhos pudessem viajar com ele para Manaus, no Amazonas. Segundo a denúncia do MPM, o ex-capelão justificou o pedido na alegativa de que os sobrinhos seriam seus “dependentes econômicos”. Apesar do depoimento, José Cheregato assegurou que tinha a intenção de levar os sobrinhos para Manaus, mas não teria dado certo.

De acordo com os advogados de defesa do ex-capelão da Base Aérea, José Cheregato teria restituído o dinheiro aos cofres da Aeronáutica, antes da instauração do inquérito que apura a denúncia por estelionato. Para o promotor Alexandre Saraiva, o arrependimento do capitão e a sua “boa intenção” em querer levar os sobrinhos para Manaus não são suficientes para justificar o crime.

Em junho do ano passado, o juiz auditor Ruslan Blaschikoff aceitou a denúncia oferecida pelo promotor militar Alexandre Saraiva. Segundo a investigação do MPM, o ex-capelão da Base Aérea de Fortaleza “fraudou os cofres públicos requerendo na oportunidade de sua transferência para o VII Comando Aéreo Regional (em Manaus)” indenização de transporte para um casal de sobrinhos.

Segundo a denúncia do promotor militar, José Cheregato recebeu, no dia 30 de junho de 2005, a importância de R$ 2.664,81 que seria destinada à compra de passagens para as duas crianças. Alexandre Saraiva justificou a denúncia com base na informação de que os sobrinhos do ex-capelão da Base Aérea nunca moraram com ele em Fortaleza, mas sim com os pais, no interior de São Paulo. O promotor explicou que o menino e a menina, hoje adolescentes, seriam considerados dependentes econômicos do capitão caso vivessem “sob o mesmo teto e quando expressamente declarados na organização militar competente”.

Uma testemunha de acusação também prestou depoimento ontem, mas o conteúdo das declarações não foram reveladas à imprensa. “Foi um depoimento contundente, tanto que somente essa testemunha foi suficiente, quando outras três ainda iriam depor”, ressaltou o promotor. Até a próxima sexta-feira, seis testemunhas de defesa deverão depor na Auditoria da 10ª Circunscrição Judiciária Militar. O depoimento do capitão José Cheregato durou cerca de três horas.

Fonte: Jornal O Povo – Fortaleza