O afastamento de três freiras missionárias de Santa Gemma que se negaram a fazer trabalhos domésticos em uma paróquia, na região do Lácio, causou revolta entre os fiéis da cidade de cerca de 60 mil habitantes.

Há sete anos na paróquia, as freiras eram responsáveis pela catequese e pela pastoral juvenil.

No entanto, em outubro, no momento da renovação do contrato de colaboração entre a paróquia e a ordem das irmãs, o bispo da diocese de Albano decidiu que elas deveriam prestar serviços “materiais” a dois sacerdotes por 800 euros mensais, cerca de R$ 2.060 reais divididos entre as três.

Insatisfeita, a madre superiora considerou a proposta inaceitável e o bispo Marcello Semeraro decidiu afastar as irmãs.

‘Tarefas de mulher’

“Lavar, passar, cozinhar, arrumar o guarda-roupa são tarefas que podem ser feitas por uma mãe, por uma mulher que trabalha fora e também por nós. Isso não é um problema”, disse à BBC Brasil uma missionária de Santa Gemma, que pediu para não ser identificada.

“Mas, na igreja, estavam três irmãs preparadas para a pastoral. A madre superiora não aceitou que, de uma hora para outra, passassem a servir os sacerdotes.”

A decisão do bispo motivou a revolta dos fiéis que prepararam um abaixo-assinado com mais de 1,5 mil assinaturas pedindo o retorno das religiosas.

O documento dos paroquianos diz que as missionárias foram discriminadas e “caçadas” por se negarem a fazer serviços domésticos.

“Não escondemos a nossa amargura e incredulidade, porque somos conscientes de que as irmãs constituem uma presença evangelizadora importante”, diz um trecho da carta enviada ao bispo.

Único jeito

Eles sabem o incômodo que a carta causou ao bispo Semeraro, mas acham que o protesto é a única maneira de trazê-las de volta.

“Estamos diante de uma hierarquia eclesiástica que reconhece um papel sob medida para as mulheres consagradas: primeiro, elas “passam pela casa” do pároco e trabalham como donas-de-casa. Só depois, podem ascender e prestar serviços em favor do povo de Cristo, em todas as formas necessárias”, diz a carta dos fiéis.

A nota diz ainda que “ninguém na Cúria parece ter considerado que as irmãs são uma referência espiritual para a vida das pessoas”.

Contrários a transformar as missionárias de “esposas de Cristo” a servas dos párocos, os fiéis prometem não desistir até o retorno das três irmãs.

Até o momento, os paroquianos não foram atendidos e as religiosas seguem fora da paróquia.

Fonte: BBC Brasil